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Trânsito: quem tem soluções?

Luís Ferreira Lopes *

As obras na via subterrânea do rio Crós-Crós, na EN10, em pleno centro de Alverca, provocaram um impacto no trânsito inesperado para milhares de automobilistas. As obras deveriam ter começado mais cedo, no início do Verão, e agora causam prejuízos em pleno regresso às aulas e à actividade das empresas e dos trabalhadores. A obra é necessária, mas decerto que não se previa uma confusão tão grande.

Quem procura fugir à EN10, via estrada de Arruda e via Choupal, tem duas opções: ir pelo Bom Sucesso até ao acesso à A1 ou ir pela Ómnia até à rotunda da Crel. Acontece que, de manhã, em plena hora de ponta, essas estradas não são alternativa. Quem vem de Alhandra /Sobralinho também não tem melhor sorte e quem entra em Alverca no sentido Lisboa / VFX, idem.

Qual seria então a solução? A famosa variante, prometida desde os tempos de Daniel Branco na presidência da CMVFX. Os problemas são muitos e o caso tem-se arrastado ao longo de anos de tentativas das autoridades locais. A anterior versão da variante passava nas traseiras da escola secundária, desembocando na rua da estação, mas é óbvio que se trata apenas de um acesso local e não de uma verdadeira variante ao trânsito pesado e aos automóveis que vêm doutras localidades. Agora surge um abaixo-assinado para que o poder político / civil ganhe o braço-de-ferro aos militares, que não querem a variante a passar do lado de lá da linha ferroviária, junto ao depósito da Força Aérea e ao (depauperado) museu do Ar.

Por algum lado a variante terá de ser construída. É uma obra urgente e, por isso, todos os abaixo-assinados para se fazer alguma coisa são úteis, embora pequem por tardios. O impacto económico do trânsito parado (ou em pára-arranca) no interior de Alverca é brutal para os empresários que escolheram esta zona para fazer os seus negócios e também para as populações de Alverca, Alhandra, Sobralinho, São João dos Montes, Vialonga, Póvoa, Calhandriz ou Arruda dos Vinhos.

Quem tiver de passar pela EN10 no centro de Alverca é melhor vir preparado de doses de paciência, uma garrafa de água, talvez umas bolachas (integrais…) ou fruta para entreter a fome. O pior é que este mini-farnel também pode ser aconselhado a quem procura o acesso à A1 através das urbanizações do Bom Sucesso e da Ómnia. A situação é desesperante e as autoridades municipais terão mesmo de fazer alguma coisa depressa, se não querem evitar uma debandada de moradores e empresas, assim que haja retoma do mercado imobiliário e económico a nível nacional. Transitar em Alverca é algo traumatizante…

Há casos igualmente graves nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, bem sei. Não há uma autoridade metropolitana que pense e resolva, de forma integrada e multimodal, a rede e os serviços de transporte a nível metropolitano, nos acessos à capital do país. Costuma dizer-se que com o mal dos outros podemos nós bem… mas, a nível metropolitano, tudo está ligado e o problema dos outros é também o nosso, hoje em dia. Pode ainda argumentar-se que há bons serviços ferroviários e há também a alternativa dos autocarros (que também ficam parados no trânsito infernal), mas, infelizmente, nem toda a gente consegue usar o comboio se viver em Alverca e trabalhar em Oeiras ou Sintra.

A verdade é esta: é urgente repensar as soluções de transporte e de planeamento urbano em Alverca… a cidade que é (quer queiram, quer não) o pulmão do concelho de Vila Franca de Xira. E o facto do novo PDM já estar aprovado não deveria servir de desculpa para mudar o que está mal ou encontrar soluções práticas para problemas económicos e sociais. Precisa-se revitalizar o debate público em torno desta questão; abaixo-assinados não chegam. Se a participação das populações for mais fomentada, talvez surjam propostas interessantes. Em Democracia, nunca devemos menosprezar as ideias dos cidadãos, por mais acomodados (e preocupados com a grave situação financeira do país) que estejam.

E quanto à teimosia dos militares na cidade de Alverca, já chega o ultraje do desmantelamento do museu do Ar e da sua ida para Sintra. Se a única alternativa para a construção da variante é mesmo a dos depósitos (vazios) da Força Aérea, arrase-se com os armazéns velhos que ali estão e de nada servem. A instituição militar tem de estar ao serviço da comunidade e não contra a população. Se for para comprar essa guerra, a presidente da Câmara e o presidente da Junta têm o meu total apoio, enquanto munícipe empenhado, cidadão independente, natural e residente em Alverca. Apelo a que a população se mobilize para resolver de vez o problema da maldita variante que há décadas não sai do papel, pressionando e apoiando o poder autárquico.

* Editor de Economia da SIC, natural de Alverca do Ribatejo

Categorias:Alverca
  1. miguel
    30/10/2010 às 06:52

    eu trabalho em sintra e uso o comboio…

    • Manuel
      02/11/2010 às 12:59

      Para Sintra é pacífico, caro Miguel. Tem uma boa ligação em Entrecampos. Agora experimente ir de comboio para Oeiras.

  2. Luis Braga
    14/10/2010 às 18:46

    Grande exposição da situação, os nossos responsáveis que avaliem a situação.

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