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“É preciso virem novas pessoas com novas ideias para pôr em prática”


ENTREVISTA. Adelino Esperança abandona este ano a presidência da Casa São Pedro de Alverca. Faz um balanço positivo dos 18 anos que esteve ligado a esta instituição particular de solidariedade social e fala de projectos concretizados. Quanto à sua saída, considera ser esta a melhor altura.

Rita Sota / Mário Caritas

“Notícias de Alverca”: Começou a sua carreira profissional ligado à contabilidade. Como é que surgiu depois a ligação à Casa São Pedro de Alverca?

Adelino Esperança: Sempre estive ligado à contabilidade nas Finanças. Mais tarde fui convidado a fazer parte dos órgãos sociais da Casa São Pedro, mas continuei ligado a essa actividade. Em 1992 fiquei com o cargo de secretário da direcção, onde tinha funções administrativas e de contabilidade. No triénio seguinte passei a vice-presidente e mais tarde assumi a presidência da direcção.

“NA”: Há 18 anos que faz parte dos corpos gerentes. Em que condições encontrou esta casa quando aqui chegou?

AE: Havia um projecto de construção de instalações que já vinha desde os anos 80 e que estava pronto a ser realizado. Este processo foi financiado por um programa da Segurança Social que disponibilizou, desde logo, a quantia para a realização das obras consideradas necessárias ao edifício. No passado, as casas que acolhiam os idosos (como esta) eram vistas como asilos. Entretanto esta instituição começou a ganhar outra dinâmica e foi crescendo ao longo dos anos. Temos actualmente 110 pessoas em valência de lar e já na altura se achava que era muita gente, então pensámos em criar cinco unidades funcionais, cada uma com 22 utentes. Cada unidade tem o seu quadro próprio de pessoal, o que origina uma maior ligação entre o idoso e a pessoa que o trata.

“Considero que a câmara tem tido um papel muito activo”

“NA”: Há 12 anos que está na presidência. Qual o balanço que faz dos vários mandatos?

AE: Estou como presidente há quatro mandatos e todos eles responderam às necessidades maiores. O salão de chá, o serviço de cabeleireiro e a troca de viaturas antigas por outras mais recentes foram as primeiras necessidades que tentámos colmatar. Mas ao longo dos anos foram aparecendo outras, inclusive a própria legislação mudava e tínhamos que estar atentos a isso. Tivemos que colocar um tecto novo, cuja obra rondou os 150 mil euros e que foi, em parte, comparticipada pela câmara municipal. Tivemos ainda necessidade de fazer uma cozinha, de construir uma sala de actividades e de instalar um sistema solar térmico.

“NA”: Ao longo destes anos que tipo de apoios teve por parte da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ou de outras instituições?

AE: Tivemos diversos apoios da câmara e da segurança social, nomeadamente na parte do financiamento e também na resolução de determinados problemas. Considero que a câmara tem tido um papel muito activo, não só com a Casa São Pedro mas também em todo o concelho. Sem esse financiamento, muitos projectos teriam que ser adiados por falta de verbas.

“Nenhum presidente sai com a missão cumprida”

“NA”: Dos objectivos a que se tem proposto, conseguiu executar todos?

AE: Nenhum presidente sai com a missão cumprida. Há sempre projectos por realizar e só depois de estarem feitos é que podemos dizer se foi bom ou mau. O caminho traçado foi aquele que considerámos ser o mais adequado. A direcção da Casa São Pedro tenta sempre responder da melhor maneira às necessidades que vão aparecendo e a “sala de actividades”, a “escolinha dos avós” e o “ cantinho dos poetas” são disso exemplo. As ideias que tinha consegui pô-las em prática e por isso é que considero que neste momento a mudança de liderança é tão importante.

“NA”: Porque é que deixa a Casa S. Pedro?

AE: Já devia ter saído há três anos. É preciso virem novas pessoas com novas ideias para pôr em prática. Apesar de sair da direcção não deixo de ser sócio. Mas deixo um aviso: para alguém estar à frente desta casa tem de ser uma pessoa muito humanista, pois estamos a lidar com pessoas, desde os funcionários aos utentes. As relações aqui dentro apelam muito ao lado humano e muita gente não está preparada para isso. Este tipo de casa não deve ter “donos”.

Leia esta entrevista completa na edição impressa

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