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Rui Vitória e o desafio da I Liga

ENTREVISTA. Rui Vitória, professor de Educação Física e treinador de futebol, assinou um contrato de uma época para ir treinar o Paços de Ferreira na I Liga. Este é talvez o maior desafio desportivo do técnico alverquense até ao momento, mas diz sentir-se preparado para levar o barco a bom porto. Em entrevista, este fala das suas expectativas e faz um balanço positivo do que ficou para trás.

Nuno Lopes / Mário Caritas

“Notícias de Alverca”: Quando é que surgiu a sua ligação ao futebol?

Rui Vitória: Desde muito novo. Como praticante estou ligado desde os nove anos, mas antes já acompanhava os meus pais a ver os jogos do Alverca.

“NA”: Abraçou a carreira de treinador também muito cedo…

RV: Sim. Num dia estava a treinar como jogador e no dia seguinte comecei como treinador. Era jogador do Alcochetense e recebi um convite para ir treinar o Vilafranquense na segunda divisão.

“NA”: Quando é que entrou a carreira de professor?

RV: Foi muito antes. Comecei a dar aulas com 19 anos na Escola Secundária Infante D. Pedro. Nessa altura não havia professores de educação física em número suficiente e convidaram-me para completar um horário. Entretanto fiz a minha faculdade, ao mesmo tempo que dava aulas e que jogava futebol; foi uma altura difícil porque tinha que andar sempre para trás e para a frente.

O futebolista que estudava e ensinava

“NA”: Como é que conseguia ser, ao mesmo tempo, jogador, professor e estudante universitário?

RV: Fazia um grande sacrifício. Hoje posso dizer que me lembro de muito poucos colegas de faculdade porque acabei por não viver a vida académica na sua plenitude. Na altura estava a dar aulas na Escola Soeiro Pereira Gomes, depois ia ter aulas na faculdade e, no final do dia, vinha ter treinos no vilafranquense.

“NA”: Qual foi o treinador que mais o marcou?

RV: Houve vários que hoje reconheço que me influenciaram, quer pela negativa, quer pela positiva. Quando digo pela negativa não é que me tenham influenciado mal, mas havia algumas coisas que eles faziam de forma implícita e que eu não achava correcto. Hoje começo a reconhecer que havia ali algo de importante por detrás daquelas tomadas de decisão. Portanto não houve alguém que tivesse tido um papel preponderante, houve sim um conjunto de treinadores que me ajudaram a formar enquanto treinador.

“NA”: O Fátima acabou por ser a “montra” do Rui Vitória. Qual é o balanço que faz da passagem pelo clube?

RV: O Fátima foi, é e será sempre um clube fundamental na minha carreira e na minha vida. Mas achei que se calhar esta era a altura ideal para sair, já que havia a possibilidade de ir para a I Liga. Não é que eu esteja obcecado por ser um treinador de I Liga, aliás, se calhar é por isso que eu acabo por dar este passo só agora, porque nunca pus as expectativas muito elevadas e nunca quis de uma forma rápida e obcecada chegar lá.

“Sinto-me preparado para este desafio”

“NA”: Mas teve convites anteriormente?

RV: Houve sondagens, mas nunca uma coisa muito concreta. Agora houve um dado muito objectivo e eu entendi que estava preparado para agarrar esse desafio. Mas o Fátima foi um clube onde eu gostei muito de trabalhar e é um clube que ficará sempre marcado na minha carreira.

“NA”: O que é que espera fazer no Paços de Ferreira?

RV: Uma característica minha é que não gosto de falar em objectivos muito definidos. O que está implícito é que o Paços é um clube para estar na I Liga, ou seja, a manutenção está implícita sem a Direcção me dizer que esse é claramente o objectivo.

“NA”: Quais são os requisitos necessários para se ser um bom treinador?

RV: É uma pergunta interessante e difícil de responder. Uma coisa eu sei: não há uma receita concreta e definida para se ser um bom treinador. Há treinadores que vencem com uma determinada metodologia e outros com outra. Aquilo que me parece fundamental é saber gerir os recursos humanos, ou seja, conhecer muito bem o contexto onde se está a trabalhar e depois actuar e tomar as melhores decisões em função disso. Isso levanta-nos a questão da sensibilidade para a modalidade, pois tomar as melhores decisões nas alturas certas não é fácil, e é isso que faz a diferença.

Categorias:Alverca
  1. Luis Braga
    14/10/2010 às 18:48

    Parabéns Rui Vitória toda a sorte do mundo força “meu”.

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