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Antiga Budelpack dá a volta à crise

ENTREVISTA. Um antigo administrador holandês da Budelpack Alverca e dois portugueses com responsabilidades na empresa decidiram viabilizar a fábrica que labora na produção e distribuição de produtos de higiene pessoal e doméstica. Consolidar a posição no mercado, apostar numa carteira de clientes forte e racionalizar os custos são os grandes desígnios traçados por Janhein Pieterse, José Roque Pinho e António Sousa Marques, os três novos proprietários da agora Multiflow

Ana Filipa de Sousa

Notícias de Alverca – O que é que o levou a apostar na compra da Budelpack Alverca, juntamente com outros dois quadros da empresa?

Janhein Pieterse – Os motivos que nos levaram a arriscar na compra desta empresa foram diferentes para cada um de nós. No meu caso foi perceber que se tratava de uma boa oportunidade. Fui director da Budelpack há cinco anos, ocupei o cargo durante um ano e regressei à Holanda. Mantive-me sempre em contacto com Portugal, porque gosto do país e das pessoas. Gostei de trabalhar aqui e apercebi-me das capacidades desta empresa que está muito bem posicionada para o mercado espanhol e português. Ao vermos a Budelpack Internacional desaparecer percebemos que esta empresa é viável, dentro do grupo Budelpack era das empresas mais rentáveis, portanto percebemos que poderia ser uma boa oportunidade para nós, e uma boa forma de manter os nossos postos de trabalho. Mantivemo-nos em contacto e fizemos com que resultasse.

O contexto de crise em que se dá o relançamento da Budelpack não torna o processo ainda mais difícil?

Não, porque a questão tem de ser analisada de uma outra forma. Continuamos a ter o nosso maior cliente, a Colgate, com quem temos um bom contrato e neste sector de produtos de higiene e limpeza a crise não se sente ainda de forma muito profunda. Nesta indústria fomos menos afectados pela crise e pelas suas consequências, pode ter havido um abrandamento, mas os efeitos não se sentiram como noutros sectores.

Seis meses depois da aquisição, os primeiros resultados satisfazem?

Sim, os resultados são satisfatórios, até porque esta empresa sempre foi rentável e, do ponto de vista económico, o ano passado até se revelou um ano positivo … tivemos de usar grande parte do nosso orçamento para pagar as dívidas deixadas pela insolvência da Budelpack Holding, que tivemos de assumir com a compra da Budelpack Alverca, mas na generalidade os resultados satisfazem.

Foi preciso mudar muita coisa no funcionamento interno, como redução de trabalhadores, por exemplo?

Não, necessariamente. Teremos de ser muito precisos no número de pessoas ao serviço. As pessoas têm de ser realmente boas naquilo que fazem para conseguirem justificar aquilo que ganham e as condições gerais do seu contrato. Mas o grande desafio que temos pela frente é conseguir deixar de depender apenas de um cliente. Temos uma vantagem em relação às outras empresas do sector, que é o facto de estarmos muito bem localizados que nos dá uma grande facilidade em servir Portugal e Espanha, principalmente do ponto de vista dos transportes. Depois, tivemos de começar a apostar na melhoria da produtividade

E tem sido fácil captar novos clientes?

O mais difícil tem sido conseguir atrair novos clientes, mas porque isso representa sempre um longo processo. Nesta indústria, entre o contacto inicial e a celebração do negócio facilmente passa um ano. Desde Dezembro que estamos a trabalhar com um novo cliente, cujo processo de negociação demorou muito tempo, mais de cinco meses. Depois, o outro grande desafio que temos pela frente é o quebrar de algumas barreiras.

Como assim?

 As pessoas têm de interiorizar e entender que somos uma companhia nacional, que deixou de estar inserida num grande grupo e que vai ter de competir com todas essas companhias que em estão diferentes condições. É preciso assimilar que a realidade pode vir a ser diferente no futuro. Depois, temos também o grande desafio de reduzir custos gerais, com produção, transportes, empregados, e trabalhar de forma ainda mais eficiente porque isso faz toda a diferença no mercado. Nos últimos meses conseguimos reduzir em quase meio milhão negociando novos contractos de electricidade, telecomunicações, coisas que não afectam directamente as pessoas mas que são vitais para uma boa gestão da empresa.

Tem sido fácil passar a mensagem de que é preciso encarar a realidade de uma outra forma?

Não é fácil mostrar às pessoas que não estamos aqui para fazer lucros gigantescos, que só gostávamos de transformar esta empresa numa boa empresa que continuou a conseguir operar e onde toda a gente tem um salário razoável. Não estamos aqui para conseguir milhões de lucro num curto espaço de tempo, como desejaria um típico investidor que apostasse na compra da Budelpack.

O contracto com o vosso maior cliente, a Colgate, termina agora em Março. As negociações para a sua renovação estão no bom caminho?

Estamos muitos expectantes na renovação do contrato que vai ter de acontecer noutros termos do actual, em termos mais reduzidos, mas que para nós vai continuar a ser um bom contrato. As negociações ainda decorrem, mas estamos muito confiantes em que vamos conseguir segurar mais de cinquenta por cento do seu valor, que para nós é positivo. È perfeitamente compreensível que a Colgate queira transferir a produção de alguns produtos para outros locais onde têm já as suas próprias fábricas.

Sem a renovação deste contracto com a Colgate seria impossível relançar a empresa?

Seria certamente muito difícil. Ainda que já tenhamos um novo cliente na área dos produtos industriais e estejamos também a trabalhar em mais novos clientes estando, num dos casos, muito próxima a celebração do contrato. Trata-se de um cliente na área comercial ligado ao sector das grandes superfícies.

Perante este quadro, quais são as expectativas para este ano que agora começa?

Vai ser um ano de transição para uma outra estrutura e uma outra realidade, mas teremos um bom futuro se conseguirmos o que está estabelecido e está tudo encaminhado para que funcione. Este ano dependerá sempre de um conjunto de factores…se tudo correr como temos programado 2011 será o ano em que já estaremos em pleno, com um bom portfólio de clientes, um bom nível de produtividade que nos permita crescer e consolidar a nossa presença no mercado….

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa do NA

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