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Mais uma vez, a culpa foi do Crós-Cós

REPORTAGEM. O abatimento de uma das margens do Rio Crós-Cós foi a principal causa da cheia na rua da estação, ao início da manhã do passado dia 29 de Dezembro.

Mário Caritas

Habitantes e comerciantes da Avenida Infante D. Pedro, em Alverca, voltaram a ver a água da chuva invadir as suas casas. Ao início da manhã do passado dia 29 de Dezembro, na sequência da forte intempérie que se abateu sobre a região durante toda essa madrugada, o inevitável aconteceu: a rua da estação (como é mais conhecida) voltou a “meter” água e desta vez a principal causa terá residido na obra do Rio Crós-Cós que deixou uma das suas margens particularmente fragilizada (a margem direita, se estivermos virados de frente para a OGMA) que, por sua vez, cedeu à força da água e fez o leito do rio transbordar.

Recordamos que nas traseiras desta rua, junto à obra do futuro centro de formação desportiva do FC de Alverca, existe uma bacia de retenção que o clube foi obrigado a construir pelo município vila-franquense de forma a proteger aquele pequeno agregado populacional das cheias cíclicas que o afectam. A bacia tem como função reter as águas das chuvas e, ao mesmo tempo, enviá-las para o Rio Tejo através de três emissários subterrâneos ali existentes.

Entretanto está a decorrer a obra de limpeza, ampliação e remodelação do Rio Crós-Cós, uma empreitada de longa duração que vai custar ao município largos milhares de euros e que visa proteger toda a cidade da chamada “cheia centenária” (como aquela que aconteceu em 1967). A referida linha de água passa, já no final do seu percurso, junto ao futuro centro de formação do FCA e à bacia de retenção e, de acordo com testemunhas locais, a principal causa da cheia terá residido precisamente no facto da referida margem do rio, após ter sido “esventrada” pelas máquinas, “ter cedido à pressão da água e transbordado”.

“Se não existisse a bacia de retenção, para onde a água do rio foi depois encaminhada, as consequências para a rua da estação teriam sido bem piores, teria sido muito complicado face ao elevado caudal que provinha do rio”, afirma, peremptório, Alberto Fernandes, comandante dos bombeiros voluntários desta cidade, para quem esta situação de cheia “não muito grave, dado que a água subiu no máximo cerca de 30 centímetros”, terá resultado da conjugação “da água da chuva oriunda da parte alta da cidade com a que transbordou do Crós-Cós para a bacia e que, após encher por completo a bacia de retenção, transbordou para a rua da estação”.

Isilda Moço, moradora, mostra-se, no entanto, revoltada com o alegado “mau” funcionamento da bacia de retenção na tarefa a escoar a água que acumula. “Naquele dia, ao invés da água da chuva ter sido enviada para o Tejo, acabou por sair para a rua da estação, uma vez que os emissários que ligam a bacia ao Tejo estavam entupidos; logo a bacia, ao invés de receber a água oriunda da rua, acabou por enviar ainda mais água para a rua já parcialmente inundada. Penso que a água atingiu o meio metro de altura.” Esta adverte ainda que a bacia de retenção, “por se encontrar a um nível mais elevado do que a rua, só começa a receber a água oriunda da rua da estação quando já subiu quase meio metro”.

Desta forma, quando passavam poucos minutos das 07h00, na sequência de uma forte “tromba” de água que caiu, voltaram os velhos rituais: a água a subir o suficiente para invadir casas e estabelecimentos comerciais, e os seus donos a tentarem minimizar os prejuízos com recurso a todo o tipo de métodos. A situação só ficou resolvida depois das 11h00 e o que valeu foram os colectores pluviais da rua que absorveram a água e enviaram-na para o Tejo.

Isilda Moço alega que a obra do Crós-Cós está mal feita. “O que sustém as margens dos rios são as raízes das canas que os cercam, são os canaviais existentes nas margens que lhes dão consistência, ou seja, fazem aquilo que o betão faz artificialmente. Se se arrancarem apenas as ramas das canas, os rios ficam limpos e bonitos; mas se mexerem nas margens, limpando as raízes das canas – que foi o que aconteceu –, naturalmente que estas ficam fragilizadas.” Por isso, em seu entender, “a obra devia ter sido começada ao contrário, ou seja, primeiro faziam a margem em betão, faziam um muro de sustentação, e só depois é que alargavam a margem natural do rio. Não cabe na cabeça de ninguém colocarem ali lama e pedras, pois a lama cede e as pedras não tapam a água – fazem barreira, mas não são solução”.

O comandante Alberto Fernandes partilha em parte desta opinião. “Naturalmente que a margem do rio estava fragilizada, pois as raízes das canas conferem-lhe resistência. Talvez os responsáveis da obra tenham tomado cautelas tendo em conta uma situação climatérica normal, mas o que não contavam certamente era com situações climatéricas tão adversas como as que se verificaram nos últimos dias do ano transacto”.

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Categorias:Alverca
  1. maria
    01/02/2010 às 20:42

    E então?
    A culpa morre e morrerá sempre solteira enquanto não tomarem as medidas necessárias.
    E quantas governações já passaram, e continuamente as cheias continuam?
    Será que tem solução?
    E não houve mais cheias porque o Vereador que está á frente das Obras Municipais fez uma Bolsa de Retenção de águas, senão seria bem pior.
    Quando votam votem bem, votem sim em quem trabalha, em quem tem ideias.

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