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Quase seis mil procuram emprego

REPORTAGEM. O cenário repete-se e tende a agravar-se. Todos os dias são muitos os que procuram no Centro de Emprego de Vila Franca de Xira uma alternativa que coloque um ponto final à instabilidade causada pela situação de desemprego… mas não o conseguem. Jovens e menos jovens, com ou sem habilitações literárias, procuram uma saída que lhes garanta o sustento diário, mas que cada vez mais escasseia e engrossa os números do desemprego no concelho.

 

 

desemprego

Todos os dias centenas de pessoas procuram solução nas vitrines do Centro de Emprego

 

 

Ana Filipa de Sousa

Ariana Maria Francisca, 31 anos. Mãe de duas crianças. Desempregada há mais de três meses e sem direito a subsídio de desemprego. O rosto de uma história que, infelizmente, não é única numa região que conta, cada vez mais, com casos desta natureza.

Depois de um percurso em várias empresas de trabalho temporário, quase sempre na área da logística, Ariana Francisca vê-se desde Julho sem qualquer perspectiva que a faça ter esperança num futuro mais animador. As dificuldades adensaram-se nos últimos tempos. O pai das crianças deixou de pagar a pensão de alimentos e a situação passou a assumir contornos mais dramáticos. “Tem sido muito difícil e tem-me valido a alimentação que a Igreja disponibiliza… senão já estaríamos a passar fome há muito tempo”.

Completamente desesperada, a jovem residente no Forte da Casa procura no Centro de Emprego de Vila Franca de Xira a luz que teima em se acender para a sua família. Sem alternativa, diz-se pronta para “fazer o que houver para fazer”, embora confidencie que “era numa cozinha que gostava de arranjar trabalho, mas como não tenho conseguido nada em lado nenhum já encaro qualquer coisa”.

Como Ariana Francisca, são inúmeras as histórias que se encontram e se cruzam às portas do centro de emprego vila-franquense. Histórias de vidas em suspenso e que trazem reflectidas no rosto a esperança de encontrar ali mesmo a alternativa para o sustento diário.

Que o diga Maria de Jesus. A peregrinação até ao centro de emprego já se tornou semanal. È assim há quase três anos para esta mulher residente em Vialonga, desde que o contrato de trabalho que tinha não foi renovado pela entidade patronal. “Estive seis meses a trabalhar na junta de freguesia com um contrato, mas que não foi renovado…Assim que fiquei desempregada inscrevi-me logo no centro de emprego, mas não tenho tido sorte nenhuma…eles dizem que há muita gente à procura, que há cada vez menos ofertas, mas para não perdermos a esperança, aparecer sempre que pudermos e continuar a procurar sempre…só que, pelo menos no meu caso, até agora ainda não consegui nada”.

Num mercado de trabalho onde a oferta é cada vez mais reduzida e a procura cada vez maior, não se pense porém que habilitações académicas e formação profissional especializada garantem empregabilidade. João Lopes é o espelho dessa mesma realidade. Depois de alguns anos a trabalhar na Alemanha, na área da indústria aeronáutica, este técnico tem perfeita consciência de que, infelizmente, não conseguirá       exercer a sua profissão no mercado de trabalho português. A área é restrita e   dificilmente conseguirá colocação como técnico de manutenção aeronáutica.

A manhã de quinta-feira começa, por isso mesmo, com o recurso àquela que se apresenta como a última alternativa. A inscrição no Centro de Emprego de Vila Franca é para já a forma encontrada para este residente em São João dos Montes tentar dar a volta à situação. João Lopes tem uma família para sustentar e, de momento, nem sequer tem direito ao subsídio de desemprego. O dia a dia é vivido com algum do dinheiro que conseguiu trazer da Alemanha. “A minha situação ainda não está tão grave quanto isso, mas tenho mesmo de arranjar alguma coisa porque não tenho direito a subsidio de desemprego por ter estado a trabalhar dura te dois anos fora do país. Só que tenho duas filhas, uma em idade escolar e não vai dar para aguentar muito mais tempo sem  alternativa”.

No dia em que João Lopes fez com que o seu nome engrossasse a fila do desemprego a mulher, que se encontrava desempregada também há algum tempo, tinha conseguido uma colocação profissional.

 

A dureza dos números

Os casos retratados assumem real dimensão na dureza dos números. Os últimos dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram que o concelho de Vila Franca de Xira tinha em finais de Setembro último 5981 residentes inscritos.

Esmiuçando os números facilmente se constata que as mulheres lideram a listagem de desempregados (3115). Quanto ao tempo de inscrição no centro de emprego, a maioria das inscrições registou-se há menos de um ano, o que dá visibilidade à crescente situação do concelho no domínio da empregabilidade. À luz destes dados, o número de pessoas inscritas à procura do primeiro emprego quase não tem expressão perante os 5711 desempregados que procuram um novo emprego.

Os motivos de inscrição também denunciam aquilo que pode ser considerado como a precariedade de emprego. Atente-se, por exemplo, nos 470 desempregados por cessação de trabalho não permanente só em Setembro. Seguem-se, depois, nesta matéria 155 situações de despedimento de iniciativa da entidade patronal, entre muitos outros motivos.

Os mesmos dados referentes unicamente a Setembro último revelam 510 mulheres inscritas e 402 homens, num total de 912 novas inscrições. Nesse mesmo mês o Centro de Emprego de Vila Franca de Xira disponibilizou 85 ofertas de trabalho (homens 26 e mulheres 51), sendo que só 77 foram preenchidas.

Por grupos etários, a faixa compreendida entre os 35 e os 54 anos é a que assume maior expressão, seguindo-se o grupo dos 25 aos 34 anos.

Quanto aos níveis de escolaridade, o grosso dos desempregados do concelho vila-franquense têm o ensino secundário completo. Uma nota ainda para os quase 500 desempregados detentores de habilitações académicas superiores.

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