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Pago para ver

Luis Ferreira Lopes*

As eleições já lá vão, os autarcas já tomaram posse, já se preparam orçamentos e planos, mas os eleitores mais atentos não esquecem, seguramente, as promessas feitas… e agora “pagam para ver” se elas se concretizam.

Quem paga impostos espera ver obra. Mas será que há capacidade financeira e estratégica da Câmara Municipal para dar um novo impulso à economia concelhia? É claro que os meios são sempre escassos, sobretudo em período de crise, mas é preciso enfrentar com renovado ânimo os enormes problemas desta zona norte da área metropolitana de Lisboa. É por isso que “pago para ver” resolvidas algumas questões que considero pertinentes:

– O projecto de reabilitação ou revitalização da frente ribeirinha Alverca / Póvoa vai mesmo avançar neste mandato? Será desta que a população de Alverca terá, finalmente, ligação ao Tejo, com respeito pelo ambiente, já que a zona industrial do Adarse (a outra hipótese de ligação) é intransitável e caótica?

– Os novos projectos de mega-zonas comerciais no decrépito parque da Tertir ou nos armazéns da Nestlé irão mesmo avançar, nos próximos anos? Podem criar mais emprego e requalificar aquela zona de Alverca, é certo… mas será desta que o comércio local do motor económico concelhio terá o mesmo destino que o de Vila Franca? Concretizo: o comércio na sede de concelho parece estar de tal forma debilitado que se, por hipótese, os serviços da Câmara mudassem de cidade, a maioria dos pequenos comerciantes de Vila Franca iria à falência. Só não vê quem não quer.

– O plano de despedimentos nas OGMA vai continuar, este ano e no próximo, aumentando o desemprego neste concelho? As Oficinas irão mesmo sair para o Alentejo a médio prazo, como se tem falado nos últimos anos? Que interesses estão por trás dos negócios da manutenção de aviões e do fornecimento de mão-de-obra temporária às OGMA?

– O museu do Ar continuará em Alverca ou muda mesmo para Sintra? Altas patentes militares garantem que está tudo fechado para que as instalações principais sejam inauguradas a curto prazo em Sintra, apesar das insistentes promessas políticas locais de que o museu fica onde sempre esteve, junto às OGMA. A polémica dura há mais de 20 anos, mas desta parece ser de vez. Veremos, muito em breve, quem diz a verdade.

– A entrada norte de Alverca, pela estrada de Arruda, será requalificada? Considerando o contínuo urbano existente entre Sobralinho e Alverca, é necessário dar melhor imagem e segurança aos habitantes e utilizadores desta zona onde todas as semanas há acidentes. A propósito, será neste mandato que será alargada a estreita e perigosa ponte da ribeira das Silveiras (ou feita uma nova), entre a ponte da A1 e o entroncamento para o Sobralinho?

– O crescimento urbano vai ser feito na zona do Cochão (Alverca) e Vila Franca norte, à custa dos diversos entraves a projectos de qualidade e a pequenas moradias nas zonas rurais? Qual é o critério? Só quem tiver dois hectares é que pode fazer uma casa, quando meio hectare já é terreno a mais para tanto pequeno agricultor (falido…) deste município? Será assim que se fixam as pessoas no interior ou a prioridade é apenas fazer novas urbanizações nas zonas próximas do Tejo? A responsabilidade será unicamente da CCDRLVT, a comissão com quem a Câmara negociou o novo PDM?

– Que destino será dado às abandonadas instalações da Marinha, à entrada de Vila Franca? Já propus, há mais de uma década (e voltei a fazê-lo recentemente no “Vida Ribatejana”), que aquela área daria um óptimo centro de formação profissional, à escala nacional. Será que, na próxima década, a antiga escola da Armada dará lugar a mais uma mega urbanização, ao estilo Malva Rosa na ex-Mague?

– Será na segunda década do século XXI (que começa em 2010…) que Alverca verá, finalmente, concluída a famosa variante? Vale a pena lembrar que este projecto vem desde os tempos de Daniel Branco (ex-autarca que concorreu, recentemente, às eleições em Oeiras). Bem sei que o processo não tem sido fácil, mas se eu vivesse (ou tivesse empresas) no Sobralinho, Alhandra ou S. João dos Montes e estivesse todos os dias naquela fila para atravessar Alverca e entrar na A1, já teria desesperado ou mudado de casa… e de concelho, claro.

Como perguntar não ofende – e como reflectir na imprensa ainda é um direito democrático, espero que estas linhas sirvam de reflexão para a comunidade concelhia que, sem qualquer dúvida, “paga”… e espera “ver”.

* Editor de Economia da SIC. Natural e residente em Alverva

Categorias:Alverca, opinião
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