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No fim da linha

REPORTAGEM. Junto ao Cemitério de Alverca, uma pequena comunidade espera religiosamente o apoio dos “Companheiros da Noite”.

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Mário Caritas

Aventino Machado, de alcunha “espanhol”, 52 anos, é o único branco de um grupo composto maioritariamente por cidadãos cabo-verdeanos que aguardam, junto ao Cemitério de Alverca, pela preciosa ajuda alimentar e de roupa/cobertores que lhes é trazida pelos voluntários da associação “Companheiros da Noite”. É uma noite de Sábado igual a tantas outras para quem não tem trabalho e, nalguns casos, nem sequer um tecto condigno onde se abrigar e cujo conceito de família é uma simples miragem. Aventino, pedreiro de profissão, não está tão no fim da linha como os colegas: arranjou trabalho há pouco tempo, na Junta de Freguesia de Alverca, e espera agora conseguir “endireitar” a vida que entrara numa espiral negativa desde há três anos a esta parte.

“Recorro a esta ajuda há pouco tempo. Agora só venho mesmo buscar roupa, mas também já vim buscar comida. Sente-se um bocado de vergonha mas tem que ser, para não passar fome”, afirma o “espanhol”. Este refere que da parte da família mais próxima nunca sentiu qualquer apoio, por isso tem passado por muitas dificuldades. E como um azar nunca vem só… “Estive também doente, por duas vezes, e fiquei internado no hospital.” Mas a vida deu uma volta. Para melhor. “Entretanto consegui obter o Rendimento Mínimo Garantido através da Segurança Social e foi por essa via que arranjei trabalho; se não fosse isso andava por aí aos caídos.”

Por isso, é provável que esta tenha sido a última vez que Aventino esperou ansiosamente pelos “Companheiros da Noite”. Isto se a vida não lhe pregar nova partida. “Hoje é a última vez que cá venho, enquanto tiver trabalho não virei mais aqui. Acreditem que se pudesse seria eu no futuro a ajudar estas pessoas, se tivesse oportunidade apoiaria, não tenham dúvidas.”

Rita Mendonça, presidente da direcção dos “Companheiros da Noite”, explicou à nossa reportagem que a ajuda alimentar/de bens que prestam, dirigida exclusivamente a pessoas sem-abrigo ou que vivem em barracas sem água nem luz, é importante para quem está totalmente desamparado. “Alguns conseguem arranjar trabalho temporariamente e deixam de precisar da nossa ajuda, depois ficam de novo desempregados e perguntam se podem voltar.” A responsável refere que esta população é “muito flutuante, dependendo inclusive das épocas do ano; acho que no Inverno existem mais pessoas a precisar de ajuda, talvez pelo frio e por precisarem mais de roupas e de agasalhos. Mas ultimamente houve um acréscimo de pessoas a precisar de ajuda, pelo menos o número de sacos que distribuímos aumentou nos últimos meses”.

Categorias:Alverca
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