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Trabalhadores contestam política de rescisões da OGMA

Concentração

DESTAQUE. 29 trabalhadores da OGMA foram mandados para casa, a receber o ordenado por inteiro, entre os 70 que já foram convidados a sair por mútuo acordo. A administração sustenta que não tem alternativa.

Mário Caritas

70 trabalhadores da OGMA foram convidados, desde Maio, a rescindir por mútuo acordo os contratos efectivos de trabalho. Entretanto, 29 destes funcionários foram intimados pela administração a ficar em casa, a maioria desde o início de Outubro, continuando, no entanto, a receber o salário por inteiro. O STEFFAS’s – Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa entende esta medida como “uma forma de pressão insustentável” e realizou, no passado dia 23 de Outubro, uma conferência de imprensa, junto ao portão principal da empresa, “com o objectivo de denunciar as atrocidades que têm sido cometidas pela administração da Embraer (accionista maioritária da OGMA), em nome de uma propalada reestruturação à custa dos postos dos trabalhadores”.

Renato Faria trabalha na OGMA há 13 anos, na secção de chaparia. Foi um dos trabalhadores mandados para casa, há cerca de duas semanas, após não ter aceite a rescisão “amigável”. Aos jornalistas, este mostrou o seu desagrado. “A administração comunicou-me, por carta, que o meu posto de trabalho havia sido extinto e que iria ficar em casa a receber o salário por inteiro. Mas trabalho é o que não falta aqui!” Outro trabalhador (que não se quis identificar) conta que há 36 anos que trabalha na OGMA como electricista e recentemente foi mudado para a secção de chaparia. “Isso é uma forma de pressão para a pessoa se ir abaixo, mas não irei ceder.”

Nessa mesma tarde, Eduardo Bonini, CEO da Embraer, negou aos jornalistas a existência de “pressões” sobre os trabalhadores, reiterando que a única preocupação é assegurar a viabilidade da OGMA. “Em Abril iniciámos um processo de readequação da empresa face aos negócios que temos em carteira. Nesse sentido, decidimos propor a alguns trabalhadores a rescisão por mútuo acordo, para perceber se conseguíamos adequar a actual situação de diminuição do volume de trabalho à quantidade de trabalhadores que temos. Em Outubro, devido a uma redução significativa do número de encomendas, chegámos a um ponto em que manter trabalhadores iria duplicar os nossos custos.”

Bonini sustenta estas medidas drásticas com a crise que afecta o sector aeronáutico. “A empresa tem que tomar uma atitude enquanto o mercado não recuperar, mas não temos uma bola de cristal para saber quando se dará essa recuperação: esperávamos que acontecesse em 2011 mas já está a derrapar para 2012. Estamos a transferir pessoas para sectores onde temos ocupação para elas, pois o que não podemos é ter trabalhadores dentro da empresa sem ocupação, aumentando os custos reais do negócio e destruindo as margens de lucro. No fundo, trata-se de adequar a mão-de-obra à realidade do trabalho existente, evitando assim um cenário de despedimento colectivo.”

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