Oportunidades de ouro
REPORTAGEM. Acusados de “facilitismo” por alguns sectores, o facto é que os cursos de novas oportunidades têm mudado a vida de muita gente.

Carla Pilré, universitária, soube tirar partido das Novas Oportunidades
Mário Caritas
“As novas oportunidades não são uma moda; são sim uma oportunidade que nunca foi agarrada com a força de agora e que poderá contribuir para melhorar efectivamente o nível de certificação da população portuguesa”, refere Filomena Cravo, directora até Agosto último do Centro de Novas Oportunidades (CNO) da Escola Secundária de Gago Coutinho (ESGC), em Alverca, inaugurado em Setembro de 2006. Mediante a entrada num processo de RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, os alunos poderão concluir o ensino básico correspondente ao 9.º ano de escolaridade (1.º, 2.º e 3.º ciclos) e secundário – 12.º ano. Ou seja, darem corpo a um sonho do qual desistiram em adolescentes.
No fundo, este processo dá aos formandos a possibilidade de alargarem os seus horizontes. “As pessoas aprendem coisas novas, afinam conhecimentos que já têm e vêem validadas – do ponto de vista da certificação escolar – toda uma série de competências que adquiriram ao longo da vida; não apenas as competências do trabalho prático, mas também das formações que as empresas onde trabalham proporcionam”, explica Filomena Cravo.
Carla Pilré, 40 anos, é ajudante de acção educativa na Fundação CEBI, em Alverca. Esta universitária reiniciou em 2005 um percurso escolar que havia interrompido cedo demais para começar a trabalhar e agarrou a oportunidade, tendo frequentado o CNO do Centro de Formação Profissional de Alverca (CFPA). “Tudo começou por uma acção de formação que fiz na CEBI, depois resolvi ir para as novas oportunidades. Tinha o 11.º ano e resolvi tirar o 12.º, foi o que aconteceu, fiz o meu RVCC na área da Educação. Durou mais de um ano, mas valeu a pena!”
Carla viu o seu percurso profissional/de vida ser reconhecido e valorizado. “Gostei muito, foi uma grande oportunidade!” E entretanto não parou, tendo concorrido para o ensino superior. Mais uma vez, foi bem sucedida. Está a tirar uma licenciatura em Educadora de Infância na Escola Superior de Educadores de Infância, em Lisboa. “ Passei agora para o segundo ano, está a ser uma experiência bastante interessante.”
No futuro, poderá vir a ser educadora de infância ou professora do 1.º e 2.º ciclo. “Isso seria excelente. Recordo-me que quando andava no secundário larguei a escola para ir trabalhar como administrativa, na altura não me arrependi, comecei a ganhar a minha independência… Mas agora, passados todos estes anos, apanhei sem querer o caminho que realmente queria.”
Alzira Henriques, directora do CFPA, reconhece a importância das novas oportunidades para a vida de milhares de pessoas. “Portugal tem índices de qualificação muito baixos comparativamente com a média europeia. Isso não quer dizer forçosamente que os nossos trabalhadores não tenham competências; estes têm competências que adquiriram ao longo da sua vida profissional, competências essas que depois não têm expressão prática ao nível das suas qualificações escolares e profissionais. Portanto, o RVCC investe na qualificação profissional e académica dos nossos concidadãos.”
Cerca de 2.000 pessoas já saíram certificadas ou aguardam a entrada em processo de RVCC no CNO da ESGC. Cenário idêntico verifica-se no CNO do CFPA.



Eu estou em casa a 7 anos, e so tenho o 9º ano encompleto, gostaria de ter formaçao profissiona pasa auxiliar de crianças, o que devo fazer