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“Não é possível prever com exactidão o que irá acontecer”

ENTREVISTA. À beira do arranque do ano escolar e da chegada do tempo mais fresco, Francisco George, Director-geral da Saúde, garante em entrevista ao “NA” que os serviços estão preparados para fazer face a uma procura excessiva, esperada para os próximos três meses, mas avisa que a preparação de medidas que permitam a contenção da fase epidémica não é apenas tarefa do Estado, mas de toda a comunidade

 Francisco George

 

Ana Filipa de Sousa

 

NA: A evolução da disseminação da Gripe A em Portugal está a decorrer como era esperado ou o quadro é mais grave do que se previa?

Francisco George: Está a decorrer como era esperado. Apesar da Organização Mundial da Saúde ter declarado que estamos perante uma pandemia a nível mundial, Portugal teve até finais de Julho relativamente poucos casos, muitos deles “importados”, ou seja de pessoas que contraíram a infecção em países onde o problema é bem mais expressivo. Tal como prevíamos, o caminhar natural da disseminação do vírus leva a uma inversão da tendência, com a circulação do vírus na comunidade. É por isso que é muito importante que a comunidade adopte medidas e comportamentos que atrasem e dificultem a propagação do vírus. Há dois gestos de protecção muito simples e que não nos cansamos de repetir: em primeiro lugar, lave frequentemente as mãos com água e sabão. As mãos são um veículo habitual para a propagação do vírus da gripe, pelo que a sua lavagem frequente – muitas vezes ao dia – ajuda a dificultar e impedir a infecção. Em segundo lugar, sempre que tossir ou espirrar deverá tapar o nariz e a boca com um lenço de papel. Esse lenço deverá ser deitado no lixo de seguida.

 

O que é os portugueses podem esperar do próximo Outono?

Não é possível prever com exactidão o que irá acontecer, embora – e a bem de uma total transparência da informação com os cidadãos – seja de esperar que o vírus possa atingir o país de forma significativa. É por isso que é muito importante que famílias, instituições e empresas se preparem para a pandemia, efectuando os seus planos de contingência. No fundo, todos nós devemos pensar e planear o que faremos caso sejamos, ou alguém da nossa família, afectado pelo problema. Como nos vamos organizar? Como vamos apoiar os nossos familiares ou amigos que estejam dependentes de nós? Que medidas preventivas podemos tomar para impedir e atrasar a propagação do vírus? São apenas algumas das questões sobre as quais devemos reflectir e tomar medidas atempadas.

 

Há razão para ter, de facto, medo dos próximos meses?

Não há razão para ter medo dos próximos meses. Há razões para estarmos atentos, preocupados, mas não com medo. Felizmente já se percebeu que este vírus não terá uma mortalidade elevada e diferente do vírus da gripe sazonal – o vírus da gripe que circula normalmente nos meses de tempo frio – mas pela facilidade de contágio poderá fazer com que um elevado número de pessoas fiquem doentes num mesmo período de tempo, causando uma grande pressão nos serviços de saúde, mas também um absentismo significativo.

 

A chegada, em Outubro ou Novembro, da gripe comum, combinada com a pandemia, poderá gerar o crescimento da taxa de mortalidade?

Pode, já que aumenta o número de pessoas doentes com gripe. Apesar da taxa de mortalidade não ser elevada, uma vez que terá um maior número de pessoas, por muito baixa que seja essa taxa, significará naturalmente e muito provavelmente um número maior de óbitos.

 

Os serviços estarão preparados para responder a todos?

Sim. Estamos em crer que os serviços de saúde estão preparados para dar as respostas adequadas. Tem havido uma preparação muito grande por parte dos serviços de saúde – até porque o relativamente número baixo de casos verificado em Portugal, em comparação com outros países onde o problema é bem mais expressivo, tem permitido aos serviços que se preparem – pelo que pensamos que poderemos estar confiantes na resposta que vai ser dada pelos serviços de saúde.

 

O que é a população vai ter de alterar no seu dia-a-dia?

Não devemos antecipar cenários e recomendações, pois pode criar um alarmismo injustificado junto da população. O mais importante será seguir as recomendações das autoridades de saúde, particularmente da Direcção-Geral da Saúde. É fundamental que estejam atentos, informados e que sigam as recomendações que em cada momento sejam dadas pelos serviços competentes.

Gostaria de transmitir uma mensagem a todos os que lêem esta entrevista: podem confiar no trabalho que tem sido desenvolvido pelas autoridades de saúde e ter a certeza que em cada momento divulgaremos a informação e as recomendações que forem as mais adequadas para enfrentar esta situação.

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