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“Ter que pensar em despedir pessoas é muito grave”

Ana Sousa/Nuno Lopes

ENTREVISTA

Alberto da ponte

Alberto da Ponte

Alberto da Ponte é o homem por detrás do sucesso da marca “Sagres” que, pela primeira vez, conseguiu ultrapassar a principal marca concorrente (“Super Bock”, Unicer, liderada por Pires de Lima) em finais de 2008, acentuando-se essa tendência ao longo do corrente ano. O presidente da comissão executiva (CEO) da SCC – Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, cuja fábrica está sedeada em Vialonga, acredita que o sucesso da cerveja “Sagres” está para durar e não equaciona despedir trabalhadores. Em entrevista ao “NA”, este gestor de sucesso admitiu ainda ter gostado da recente experiência de rodar um filme publicitando a marca da “sua” cerveja, considerando-a “uma aproximação aos consumidores de forma pouco ortodoxa”.

“Notícias de Alverca”: O mercado das cervejas não escapa à crise, mas a Sagres reforçou a liderança no mercado cervejeiro em Portugal no bimestre Dezembro/Janeiro. A inversão na liderança prolongou-se nos primeiros dois meses de 2009, com 45,6% de quota de mercado em valor, e superou em cerca de 1,5 pontos percentuais a principal concorrente. Como é que se conseguem estes resultados na actual conjuntura?

Alberto da Ponte: Com o esforço de todos os nossos colaboradores e muito especialmente da nossa força de vendas, que acredita nas marcas que comercializa e que “veste a camisola” com determinação. Estes resultados testemunham a força das nossas marcas e da nossa equipa.

NA: A meta traçada no início do ano, que apontava para a manutenção dos 1.000 postos de trabalho da empresa, é realizável?

ADP: Continuo a defender a mesma posição: ter que pensar em despedir pessoas é muito grave para mim! Se o mercado descer de uma maneira brutal, teremos de considerar o redimensionamento da nossa estrutura. Mas a minha principal preocupação, nos dias de hoje, é, na medida do possível, a manutenção da paz social e dos postos de trabalho.

NA: Já lhe chegaram pedidos de ajuda de colaboradores “dentro de portas”, nomeadamente de Alverca, que tenham ficado em situação familiar complicada?

ADP: Não recebemos! A situação dos colaboradores da empresa é estável e este ano o aumento geral, exceptuando os quadros que não viram a sua situação alterada, foi de 1% com efeitos a 1 de Janeiro.

NA: Numa entrevista à “Natural” de Abril de 2007, afirmou que “o grande desafio é dar um novo salto de crescimento, para o qual teremos de encontrar um terceiro pilar que nos permita expandir para além das águas e das cervejas”. Essa meta já foi conseguida?

ADP: Sim. Com o nosso acordo de distribuição com a Schweppes Portugal, empresa do Grupo Orangina, concretizámos a intenção estratégica, que anunciei em 2007, de reforçar a nossa posição no mercado de refrigerantes, o alegado “terceiro pilar” da nossa linha de negócios, para além das águas e das cervejas.

Fomentar a consciência de comunidade

NA: A Sagres aposta bastante no desenvolvimento de uma política de responsabilidade social e faz questão que os seus contributos tenham impacto na zona onde está inserida. É ponto de honra que assim seja? Porquê?

ADP: É sem dúvida um ponto de honra. É nossa obrigação, enquanto empresa responsável, colocar o desenvolvimento sustentável no eixo do nosso negócio, contribuindo desta forma para a    construção de um futuro melhor. A empresa deseja contribuir para o desenvolvimento equilibrado da sociedade, integrando, de forma harmoniosa, nos objectivos do seu negócio os aspectos económicos, sociais e ambientais da actividade que desenvolve. Na valência industrial, a SCC está consciente do impacto ambiental da sua actividade, assumindo que a adopção de boas práticas ambientais faz parte da sua política estratégica.

Adoptar uma estratégia de responsabilidade social implica que a empresa se comprometa a ter em conta os princípios do desenvolvimento sustentável nas suas actividades, nomeadamente nas relações com a comunidade em aspectos como o apoio social (veja-se o protocolo assinado com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira), outros apoios sociais e culturais pontuais na área onde se situa a nossa fábrica e ainda a preocupação crescente com os impactos ambientais junto da comunidade envolvente decorrentes da nossa actividade.

NA: Foi a pensar nessa mesma política de responsabilidade social que a SCC propôs que os 130 mil euros do protocolo que estabelece anualmente com a câmara fossem, este ano, destinados a ajudar 350 famílias carenciadas do concelho vila-franquense?

ADP: A assinatura deste protocolo vem no seguimento da já extensa política de responsabilidade social da Central junto da comunidade envolvente, bem como do trabalho desenvolvido pelo município de Vila Franca de Xira tanto ao nível do movimento associativo, como em colaboração com as estruturas económicos do concelho. O estabelecimento de parcerias e inter-correlações entre as diversas estruturas da sociedade civil fomenta a consciência de comunidade.

NA: Sabe se alguma fatia dessa verba será empregue em Alverca?

ADP: Certamente. Alverca faz parte do concelho de Vila Franca. No entanto, a canalização das verbas é da responsabilidade da câmara com o conhecimento da SCC.

NA: Que importância tem o protocolo firmado com a autarquia de Vila Franca?

ADP: Ao longo dos anos, a SCC tem desenvolvido uma política de integração na comunidade através da participação em diversas iniciativas, promovendo o desenvolvimento económico e social das zonas envolventes. A consolidação do programa de investimento na comunidade de Vila Franca de Xira, através do protocolo com o município e de uma estratégia de “portas abertas”, são os principais elementos para uma maior apro-ximação à comunidade. No âmbito da comunidade em geral, a SCC tem apoiado iniciativas que fomentam a promoção de estilos de vida saudáveis e o apoio a organismos e associações de cariz social.

“Nunca digo que não a um desafio”

NA: A sua recente experiência publicitária, com a rodagem de um anúncio à cerveja Sagres, correu bem. Põe de lado a hipótese de vir a regressar às luzes da ribalta?

ADP: Não lhe chamaria “ribalta”. Mas não nego que foi uma experiência muito interessante e enriquecedora e uma aproximação aos nossos consumidores de uma forma pouco ortodoxa. Nunca digo que não a um desafio!

NA: A sua casa de férias, em Sagres, no Algarve, é uma feliz coincidência?

ADP: É de facto! Sagres já era para mim um destino de férias antes de ter vindo colaborar com a SCC.

Categorias:Alverca
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