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“Em 2010 o desemprego vai subir claramente acima dos 10%”

Nuno Lopes / Mário Caritas

ENTREVISTA. Luís Ferreira Lopes, editor de Economia da SIC, prevê um cenário de “graves tensões sociais, à semelhança do que está a suceder em Espanha”.

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“Notícias de Alverca”: Como é que chegamos a este cenário de recessão económica?

Luís Ferreira Lopes: É uma crise que começa no sector financeiro, portanto na banca, e no sector do imobiliário. Começou nos EUA, passou depois para o mercado britânico e seguiram-se alguns países que estavam mais expostos aos chamados “produtos tóxicos”, ou seja, produtos financeiros baseados em dinheiro virtual. O chamado sistema e os mercados financeiros, na ganância de procurarem ter cada vez mais clientes, cometeram enormes falhas de supervisão e, portanto, de regulamentação.

“NA”: Quais são os números do desemprego em Portugal?

LFL: Os números mais recentes para Portugal e para a zona Euro já estão acima dos 9%. No caso espanhol, os dados mais recentes da zona Euro divulgados pelo Eurostat já colocam a Espanha nos 18% de desempregados e vários economistas espanhóis prevêem que o ano feche nos 20%, ou seja, no próximo ano Espanha deverá ter cinco milhões de desempregados. Portugal já está seguramente no meio milhão e, na minha opinião, vai subir muito mais, espero estar redondamente enganado…

“NA”: Do ponto de vista empresarial o cenário também não é animador. Preocupa-o ver o concelho de Vila Franca de Xira com uma Cimianto em processo de insolvência, com uma Budelpack que parece ter os dias contados, com a Ferro Portugal em lay-off e com a OGMA a rescindir amigavelmente com trabalhadores?

LFL: Este concelho, tal como muitos outros concelhos do nosso país, está duplamente exposto: por um lado, o investimento “directo” no município está a sofrer as consequências da crise económica, ou seja, da quebra das exportações e do consumo, em que há menos encomendas logo é preciso reduzir a produção e, nesse caso, também não são necessários tantos recursos humanos e corta-se no pessoal; é essa a lógica empresarial. Por outro lado, há que ter em conta o fluxo “migratório” das pessoas que trabalham noutros concelhos mas que estão aqui registadas e, portanto, é no Centro de Emprego de Vila Franca de Xira que vão depois pedir apoio. Logo o concelho de Vila Franca pode vir a ser um espelho daquilo que me parece que vai acontecer em 2010: um desemprego claramente acima dos 10%. Aliás a taxa de desemprego real está neste momento camuflada pelos números da formação profissional, caso contrário já estaria seguramente acima dos 10%.

“NA”: Perspectiva-se um cenário de grave crise social?

LFL: Há várias zonas na Área Metropolitana de Lisboa que creio que vão ter fortíssimos problemas devido ao desemprego, à falta de condições para honrar determinados compromissos e ao incumprimento de algumas questões sociais importantes tais como pagar a escola dos filhos, por exemplo…

“NA”: Quais as áreas de negócios que devemos atrair para o concelho?

LFL: A atracção de novas empresas tem a ver sobretudo com a questão das acessibilidades. É necessário que a variante de Alverca, há tanto prometida, avance. Assim como é necessário o avanço de outras infra-estruturas viárias essenciais, nomeadamente o nó do Sobralinho. Depois, o concelho tem que fazer os possíveis por se reconverter. Não se pode pensar que tudo é logística e que tudo é retail park’s porque nesse caso ficamos muito dependentes de uma área de negócio, tal como acontece na agricultura quando a pessoa vive da monocultura. Há muito que defendo que devíamos olhar a sério para as magníficas instalações da Marinha, em Vila Franca, e fazer ali uma escola de formação profissional a nível nacional. Porque o grande desafio dos próximos tempos é: se não houver uma capacidade produtiva e exportadora suficiente, o que é que o Estado faz a mais de 500 mil desempregados? Claro que tem de apostar na formação profissional, mas na formação profissional a sério!

“NA”: O Luís doa parte da parte da receita de direitos de autor do seu recente livro – “Seja mais esperto do que a crise” – ao Centro de Emergência Social da Fundação CEBI.

LFL: Sim. Para já porque é uma instituição da minha terra e isso deixa-me satisfeito; às vezes, com pequenos actos, podemos retribuir aquilo que algumas instituições como a CEBI já fizeram pela minha terra e se calhar por familiares meus. Julgo que, mais do que nunca, temos que ter um espírito comunitário e solidário. Foi nisso que pensei quando escrevi o livro.

Versão integral da entrevista na edição impressa

Categorias:Alverca
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