OGMA convidou 30 trabalhadores a sair
Mário Caritas
SOCIEDADE. Desde segunda-feira que a administração da OGMA está a convidar funcionários do quadro a rescindirem os contratos por mútuo acordo.

Trabalhadores efectivos da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal estão a ser convidados a rescindir os seus contratos. O processo terá alegadamente tido início na passada terça-feira (dia 26), tendo os funcionários – cerca de 30, no total – sido instados a aceitarem a rescisão dos seus vínculos por mútuo acordo, mediante a contrapartida do pagamento de mês e meio de salário por cada ano de trabalho na empresa.
Os sindicalistas do STEFFAS (Sindicato dos Trabalhadores Civis dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas e Indústria de Defesa), Hélio Martins e Ricardo Costa, mostram-se preocupados com a situação. “Julgamos que vão continuar a ser chamados trabalhadores e isso preocupa-nos.” As pessoas que foram convidadas a sair encontram-se temporariamente suspensas de funções até – segundo apurámos – esta sexta-feira (dia 29), data em que terão que dizer se aceitam ou não as condições avançadas pela empresa.
Jorge Lopes, sindicalista do SITAVA (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos), confirma, após reunião com a administração da OGMA, ter conhecimento de que “foram convidados a sair trabalhadores efectivos oriundos de várias áreas de laboração, muitos deles já com vários anos de ligação efectiva à casa; no total foram chamadas cerca de 30 pessoas, a maioria ligados à Segurança Social”.
Recordamos que a OGMA emprega actualmente cerca de 1.700 pessoas, às quais se junta perto de meio milhar de mão-de-obra sub-contratada. Em 2008 a empresa anunciou lucros na ordem dos 5,5 milhões de euros. A administração justifica agora esta medida com “a ausência de encomendas significativas para 2010, a dificuldade de receber pagamentos por serviços já prestados a clientes e a baixa produtividade de alguns sectores da empresa”.



Segundo a notícia da SIC Notícias, “… os sindicatos e os operários dizem que, no interior da empresa, se fala de uma forte redução de pessoal, que pode ir até aos 600 operários. …”.
No mínimo preocupante. Caso se confirme os números avançados pelos trabalhadores será um forte impulso para uma crise social em Alverca.
O curioso é que há cerca de um ano a empresa anunciava nos OCS que duplicava os lucros, tendo inclusive feito contratos diversos, tanto de manutenção como de gestão de frotas.
Será que com estas afirmações… “O resultado reflecte a boa saúde financeira da empresa, resultante de uma reorganização interna que parece ter sanado os problemas que vinham caracterizado a empresa nos últimos anos e que se traduziram numa nova disciplina na contenção de custos” … e num espaço de tempo de 11 meses os “polos” se inverteram nas OGMA?