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Estrada de terra batida impede jovem deficiente de sair de casa

Ana Sousa

Família espera há mais de quatro anos que asfaltem a rua

Severiano e Rosa Nunes têm uma filha deficiente que apenas se desloca numa cadeira de rodas e há mais de quatro anos que anseiam pelo alcatroamento da rua onde vivem. A obra faria toda a diferença para esta família residente em Arcena, que se vê obrigada a enfrentar a estrada de terra batida cada vez que precisa de sair com a jovem Melissa.

Os pais de Melissa reclamam um acesso condigno ao Largo Quintal de Paula, em Arcena

Os pais de Melissa reclamam um acesso condigno ao Largo Quintal de Paula, em Arcena

A família Nunes espera há, pelo menos, quatro anos pelo alcatroamento da rua onde vive em Arcena. A obra assume uma importância particular para esta família, já que a filha do casal é deficiente motora e só se desloca numa cadeira de rodas.

Quando há cerca de cinco anos deixaram o Bom Sucesso para ir viver para aquele lugar de Alverca, Severiano e Rosa Nunes pensavam que estavam resolvidas as dificuldades de deslocação da jovem Melissa.

O segundo andar num prédio de habitação, sem elevador, tornava-se cada vez mais difícil de alcançar e a mudança para a casa construída no Largo Quintal de Paula, na zona antiga de Arcena, deveria terminar com as dificuldades de deslocação da filha do casal.

Só que o acesso à habitação da família é praticamente intransitável. A rua não está pavimentada e empurrar a cadeira de rodas de Melissa pela estrada de terra batida transformou-se num grande problema para Severiano e Rosa Nunes.

Inconformado com o arrastar da situação, o casal admite que já não sabe o que fazer para mostrar o quanto precisa daquele pedaço de estrada asfaltado. “Isto sempre esteve assim. Quando para cá viemos informei a junta que me disse que ia enviar um ofício para a câmara a informar do que aqui se passava. Agora parece que a câmara diz que não tinha conhecimento… nunca ninguém resolveu o problema e isto ficou sempre assim”, explica Severiano.

“Estrada alcatroada faria toda a diferença”

O cansaço de anos de espera está particularmente espelhado no rosto de Rosa Nunes. É a ela que cabe deslocar Melissa até à ponta da rua sempre que considera que a filha, hoje com 16 anos, está em condições de ir passar o dia à CerciTejo. “A Melissa tem de ser ajudada por oxigénio e aspirada muitas vezes ao dia, por causa da expectoração, e só vai à escola quando vemos que está em condições de lá ficar todo o dia. Só que chegar à rua onde a carrinha pode ir é um tormento para mim. Tenho os braços gastos de carregar com a cadeira. Tem sido muito difícil de suportar.”

“A estrada alcatroada faria toda a diferença. Só eu sei o que passo sempre que quero sair de casa com ela. Se está a chover nem se consegue arrastar a cadeira dela, porque a lama não deixa. Se está bom tempo são os buracos… é um martírio que temos”, acrescenta a mãe de Melissa.

As dificuldades no acesso à casa da família Nunes são, de resto, partilhadas por quem reside no Largo Quintal de Paula, em Arcena. Que o diga José Manuel, vizinho da família Nunes que esclarece que “fui eu que gastei quatro sacos de cimento para tapar alguns buracos e fazer o lancil porque ninguém vem aqui resolver este problema”.

A Junta de Freguesia de Alverca reconhece que este é um problema que se arrasta há mais de quatro anos, denunciado ainda no mandato anterior liderado por Serafina Rodrigues.

Afonso Costa, presidente da autarquia, garante que a situação está identificada e vai ser relatada às entidades municipais, a quem cabe a resolução do problema. “Vamos fazer um relatório para entregar à presidente da câmara, dado que esta matéria não é da responsabilidade directa da junta”.

Categorias:Alverca
  1. Não identificado
    29/05/2009 às 00:19

    Curiosamente (ou não), depois de publicado no NA, houve o tão ansiado arranjo do acesso aquela rua. Bom trabalho da jornalista Ana Sousa.

  2. Não identificado
    13/05/2009 às 00:28

    Casos destes são uma vergonha para uma freguesia como Alverca com cerca de 30.000 habitantes e que ás portas da capital ainda hoje, em pleno século XXI, não garante o mínimo que seria um acesso em condições.

    Será que o alcatrão irá aparecer lá para o Verão, … em vésperas de eleições? Ou será que a JFA e a CMVFX irão continuar a “chutar” as responsabilidades entre si?

    Parabéns ao NA por divulgar estes casos e força no vosso projecto que está a melhorar a olhos vistos.

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