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Que Alverca queremos?

Luis ferreira Lopes

As recentes notícias sobre o provável avanço dos projectos imobiliários e comerciais para as actuais instalações da Tertir e da Nestlé levantam-me alguma preocupação sobre o impacto destes mega-empreendimentos no comércio local e no tráfego automóvel.

Pelo que li na imprensa, os projectos até podem merecer agrado ao nível das linhas arquitectónicas, embora as questões de estética urbana sejam sempre discutíveis, mas não é difícil fazer melhor ali do que os mamarrachos existentes. Além disso, são projectos que criarão postos de trabalho numa cidade e num concelho que deles precisa.

A questão de fundo não é estética. E também devemos ter honestidade intelectual para não aceitarmos de imediato o argumento de que se deve aprovar tudo só porque há a promessa de novos empregos. Se esse fosse o argumento mais relevante, o governo e a AICEP não teriam rejeitado os projectos de mega-parques de diversões na Azambuja e em Alenquer. Neste caso, o governo encontrou impedimentos ambientais, mas fechou os olhos há uns anos aos projectos logísticos dos espanhóis da Abertis na Castanheira, em terrenos REN, RAN e inundáveis.

Em Alverca, projectos comerciais como estes terão um impacto ainda maior sobre o comércio local do que tiveram os actuais hiper e supermercados, como é previsível. Por isso, deixo aqui apenas algumas questões para reflexão.

Que compensações serão dadas aos pequenos comerciantes que mal geram receita para pagar a renda da loja e o ordenado dos funcionários? Foi medido o impacto destes projectos no pequeno e médio comércio de Alverca, a principal cidade do concelho em termos económicos?

Há dimensão de procura (ou tanto público em Alverca e nas imediações) para tamanha oferta e quantidade de superfícies comerciais? Ter uma frente de grandes lojas desde a Escola Secundária até às Portas do Ribatejo, na Verdelha, não é um exagero? Com que novos acessos viários? Com as variantes prometidas há décadas e eternamente adiadas?

Tudo isto acontece num momento em que o PDM está ainda a ser alterado. Estará o processo de revisão do PDM a ser justo no que respeita à igualdade de tratamento das áreas de expansão em Alverca ou em Vila Franca? Porquê dar luz verde à expansão urbana e comercial / industrial no litoral e em zonas que eram agrícolas como a zona do Cochão ou, no caso de VFX, a Nova Vila Franca? Há áreas que podem ser desafectadas de RAN ou REN e noutras, que estão no meio de manchas urbanas, nada se deixa fazer? Qual é a lógica?

Perante isto, uma conclusão: a transparência política dos poderes locais e municipais tem de ser total, ainda por cima com eleições à porta. Não adianta desculparmo-nos com o Poder Central ou a CCDRLVT, porque no nosso concelho e na nossa cidade manda quem cá vive e cá vota. Se, afinal, assim não for, então é melhor repensarmos o que queremos, de facto, para Alverca e o concelho vilafranquense.

Categorias:opinião
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