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Archive for 31/03/2009

“Alverca já esperou demais pela Variante”

Ana Sousa/Mário Caritas

Quase quatro anos depois de ter “roubado” a junta de Alverca à CDU, Afonso Costa mostra-se disponível para se recandidatar. Acerca deste mandato, tem o sentimento do dever cumprido e não se arrepende de algumas decisões polémicas que tomou. Afirma que sempre deu atenção à freguesia como um todo e que nunca descurou as zonas periféricas. Acredita que o Museu do Ar poderá continuar em Alverca, sublinha que esta é uma cidade segura e, quanto à futura variante, pede pressa às entidades competentes para darem andamento ao processo.

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Notícias de Alverca: Que balanço faz deste mandato e do compromisso que assumiu há quatro anos para com a população que o elegeu?

Afonso Costa: O balanço cabe à população fazer quando for chamada a decidir. Havia alguns compromissos que para nós eram pontos de honra, nomeadamente devolver a cidade aos alverquenses; estamos a tentar fazê-lo aos poucos, criando novas zonas de lazer para que a população se possa encontrar, e daí a nossa aposta em recuperar e requalificar espaços verdes, parques infantis e zonas pedonais.

NA: Quais foram as maiores carências que encontrou quando assumiu a presidência da junta? O que é que mais o surpreendeu?

AC: Surpreendeu-nos que cerca de70% do orçamento fosse canalizado para questões salariais, logo uma das coisas que fizemos foi tentar alterar esse modelo de gestão. Por exemplo, algo que não é muito visível e onde nós temos gasto algum dinheiro é na automatização do tratamento dos espaços verdes. Estamos a fazer esse trabalho de forma faseada, inicialmente na Quinta da Vala e Quinta das Drogas, seguindo-se agora o Bairro da Chasa. Nesse aspecto estamos a rentabilizar mão-de-obra, libertando-a para outros fins, e assim ganhamos produtividade.

NA: Recentemente foi alvo de críticas da oposição em relação ao aumento da verba do Orçamento de 2009 destinada à contratação de empresas privadas para o tratamento de zonas verdes. Não se gasta mais dinheiro do que fazendo a junta esse trabalho?

AC: Não gastamos mais dinheiro! Além disso não aumentámos o número de metros quadrados de espaços verdes entregues a empresas exteriores, pelo contrário redistribuímos esses espaços: damos aos privados as zonas mais periféricas da freguesia, ao passo que os nossos trabalhadores ocupam-se da parte mais central. A Quinta da Ómnia, por exemplo, era feita por privados e agora é tratada por nós; ao passo que o canal do Alviela, no Bom Sucesso, foi entregue aos privados. Julgamos que estando mais perto da sede os nossos funcionários podem fazer melhor; as pessoas picam aqui o cartão às 09h00, depois têm que esperar pelo transporte para serem colocadas junto ao posto de trabalho e antes do almoço têm que estar preparadas para regressar, tudo isso demora sempre algum tempo. Se nós conseguirmos que os nossos funcionários trabalhem junto onde picam o ponto e onde fazem as refeições, estamos a ganhar produtividade.

NA: Este seu mandato tem sido marcado por questões importantes para Alverca e que continuam à espera de resposta. Em relação à futura variante, o município tenta a todo o custo que esta passe entre alinha do caminho-de-ferro e o rio Tejo, em terrenos da Força Aérea Portuguesa (FAP). Para si é esse o melhor traçado?

AC: Sim. Nós temos essa opinião desde o início do mandato. Achamos que a variante deve passar o mais longe possível da malha urbana da freguesia. Mas não podemos ficar eternamente à espera de uma decisão da FAP; estivemos 50 anos à espera de uma alteração à servidão aérea, mas não podemos agora estar mais 50anos à espera que haja uma decisão sobre a variante!

NA: Alverca está em vias de perder o Museu do Ar para Sintra e a oposição acusa a junta de não ter tido um papel mais activo no sentido de impedir que tal acontecesse.

AC: Eu espero que não saia.

NA: Ainda acredita?

AC: Acredito, acredito. A mudança da sede do museu para Sintra é uma ideia que se fala desde 1984. Infelizmente perdeu-se 20 anos em que se andou a assobiar para o lado e ninguém ligou. Nos últimos quatro anos tem-se feito muito e se há coisa que temos plena consciência de ter feito foi estreitar a ligação da freguesia com a Força Aérea Portuguesa (FAP) e mostrar que Alverca cresceu com a FAP e que estão interligados. Basta ver o mural que implantámos na entrada norte da freguesia ou o slogan que lançámos: “Alverca, cidade da aeronáutica”; ou até mesmo a oferta que um general nos fez de uma aeronave para colocarmos num espaço público (esperamos colocá-la até ao final do ano).

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NA: Mas para o museu continuar terá que ser noutro espaço, mais amplo. Onde?

AC: Terão que haver muitas conversações com a FAP, pois sabemos que o Depósito Geral de Material Aeronáutico tem muitos hangares vazios.

NA: O Afonso Costa prometeu apostar na requalificação e reabilitação da zona histórica, mas junto ao castelo continuam a existir muitas casas devolutas…

AC: A zona do castelo está desabitada, é necessário criar condições para as pessoas recuperarem as casas e voltarem a habitá-las. A oposição critica o que se passa na zona antiga, mas também deve ter consciência que o maior atentado que se fez ao património foi quando se deixou construir a Igreja dos Mórmones junto ao adro. Por isso às vezes acho muita piada quando aparecem a falar alguns salvadores da zona antiga e do património que estão ligados a quem aprovou e deixou fazer aquele “mamarracho”…

NA: Alverca tem um bom centro de saúde em termos físicos, mas em termos humanos aquele equipamento está transformado num caos, sendo inúmeras as reclamações dos utentes. Preocupa-o?

AC: Preocupa-nos em primeiro lugar que haja muitos munícipes sem médico de família. Depois, julgamos inaceitáveis duas situações que ali se passam: primeiro as pessoas terem que ir muito cedo para aporta do centro para conseguirem marcar consulta para aquele dia; segundo porque só se abrem três vagas por dia mediante marcação telefónica, quando cada vez mais a política de saúde no nosso país é as pessoas não terem que ir pessoalmente marcar consulta e poderem fazê-lo via telefone ou internet. Além disso, se alguém quiser marcar uma consulta previamente terá que fazê-lo para daí a mês e meio, o que é inaceitável. Portanto há três questões que se devem resolver: médicos de família para todos os utentes, não ter que ir tão cedo para arranjar médico para aquele dia/marcação via telefone e criar mais vagas pois não se compreende que as marcações prévias sejam feitas para daí a um mês e meio.

NA: São constantes os assaltos a alunos junto às escolas. Por outro lado, sucedem-se os assaltos no Jardim Álvaro Vidal, sem esquecer os roubos a lojas e a casas de habitação(e respectivas garagens), sobretudo nos bairros novos. A PSP trouxe ou não mais segurança e o número de efectivos é ou não suficiente?

AC: O número de efectivos nunca é o suficiente, nem para nós, nem possivelmente para o próprio comando da PSP, porque há sempre falta de meios. Mas Alverca é uma cidade segura. Claro que se registam casos pontuais, tem havido alguma insegurança junto às escolas, mas também temos tido nessa matéria uma resposta pronta das forças de segurança. Em relação ao jardim foi criada uma falsa ideia de insegurança, pois por um jovem ter sido assaltado não se pode dizer que exista insegurança.

NA: Está disponível para se recandidatar à presidência da junta?

AC: Esta é uma questão em primeiro lugar da secção do PS de Alverca, que já me fez o convite. Estou em período de reflexão, dei um prazo para as coisas ficarem definidas porque, além do cabeça de lista, acho que é necessário haver uma boa equipa.

NA: Ainda tem muitos projectos para Alverca? O projecto de recuperação dos antigos lavadouros, por exemplo?

AC: Sim, é um projecto todo feito e pago por nós. Trata-se de um espaço que está completamente degradado e que, no futuro, vai ter wc’s públicos, seis tanques para preservar a ideia dos lavadouros, um amplo espaço com dois pisos para acolher o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares, e nas traseiras haverá um parqueamento para os carros da junta.

NA: E o Afonso Costa está disponível para dar corpo a este e a outros projectos?

AC: Irei definir com os meus camaradas e falaremos na altura própria.

versão integral da entrevista na edição impressa

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