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Lucros das empresas com sede no concelho baixaram 60 milhões em 2009

CONCELHO. A câmara de Vila Franca de Xira vai manter as taxas de derrama e de IMI em 2011, mas a autarquia vila-franquense já está a sentir uma quebra de receitas pela desaceleração da actividade económica e pelas dificuldades que afectam as empresas.

Jorge Talixa

As receitas da câmara de Vila Franca de Xira registam uma quebra significativa em 2010 e levaram a autarquia a aprovar, na quarta-feira, uma revisão orçamental. Na mesma sessão camarária foi também aprovado o lançamento de uma derrama em 2011 e a manutenção das taxas de IMI (Imposto sobre Imóveis) aplicadas este ano. Segundo dados recolhidos pela edilidade junto do Ministério das Finanças, os lucros declarados pelas empresas com sede no concelho baixaram cerca de 60 milhões de euros em 2009, o que resultou numa redução significativa das receitas de derrama no ano em curso.

Maria da Luz Rosinha explicou que o executivo decidiu propor taxas “rigorosamente iguais” às do ano anterior e lembrou que, no caso da derrama, Vila Franca de Xira é o único município da Área Metropolitana de Lisboa que decidiu isentar as empresas com volume de negócios inferior a 150 mil euros. Mas, para além de ter verificado que as empresas com negócios de mais de 150 mil euros por ano reduziram os seus lucros tributáveis em 60 milhões de euros, a autarquia vila-franquense apurou, também, que cerca de 90 empresas deixaram de constar deste patamar acima dos 150 mil euros.

Bernardino Lima, vereador da CDU, também manifestou alguma estranheza pelo “desaparecimento” de quase 90 empresas no nível acima dos 150 mil euros. “Fazem mossa estes 60 milhões de lucros tributáveis, já não falando nas pequenas empresas com muitas dificuldades. O volume de negócios vai diminuindo e vamos tendo um aparelho produtivo que não produz tanto quanto gostaríamos”, sublinhou o eleito comunista, questionando a presidente da câmara sobre o trabalho e sobre os resultados da criação, há cerca de 3 anos, do Gabinete de Apoio ao Investidor.

Terrenos muito caros

Maria da Luz Rosinha argumentou, contudo, que o concelho continua a ser procurado por bastantes empresas que se querem instalar no seu território e que destacam, curiosamente, as boas acessibilidades. A edil lembrou projectos como o complexo da antiga JB Fernandes, onde vai funcionar o centro nacional de formação da Ford, as novas instalações da Alfândega de Alverca e o projecto para o espaço da antiga Tertir.

Acrescentou que a câmara é regularmente abordada por empresas que procuram terrenos no concelho. Mas, “os terrenos neste concelho são muito caros. A câmara não tem terrenos. Só no âmbito da revisão do PDM é que se criou uma ou outra bolsa de terrenos e estamos a preparar trabalho para serem publicitados e concursados”, revelou a presidente da autarquia, admitindo que uma das maiores dificuldades para as empresas que se querem instalar no município é “o preço que os terrenos atingem”.

Categories: Alverca
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