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Archive for Fevereiro, 2010

Derrocada provocou evacuação do Centro de Saúde de Vialonga

REPORTAGEM. Um aluimento de terras na barreira junto ao Centro de Saúde de Vialonga levou à evacuação do edifício. A derrocada terá sido causada pela erosão do terreno devido à elevada precipitação que tem ocorrido. A estrutura do edifício não está ameaçada.

Paula Gadelha

Na manhã do passado dia 19, por volta das 10h30, registou-se uma derrocada na barreira situada junto ao Centro de Saúde de Vialonga. De imediato, foram alertados os bombeiros, a Protecção Civil Municipal e a GNR que acorreram prontamente ao local. Por precaução, a administração da Unidade de Saúde Familiar (USF) Villa Longa, a funcionar naquele edifício, deu ordem de evacuação. “O pessoal que se encontrava no edifício apercebeu-se de um estrondo e de um tremer semelhante a um tremor de terra, mais sentido na zona da USF que fica junto ao local da derrocada”, recorda Manuela Vítor, coordenadora da USF Villa Longa. “A evacuação da USF fez-se apenas por questões de segurança, até que houvesse uma avaliação dos estragos”, acrescenta.

A Protecção Civil terá feito, no momento, uma vistoria ao edifício, concluindo não existir perigo imediato para a estrutura. “Depois de verificadas e assinaladas as brechas abertas em várias zonas da USF, asseguraram-nos que poderíamos retomar as actividades porque estava mantida a segurança do local, pelo que foram retomadas as actividades normais a partir das 14 horas.”

A Protecção Civil está agora a realizar uma avaliação mais profunda da situação, para confirmar se a estrutura do edifício sofreu outros danos, para além das pequenas fendas já registadas. A derrocada resultou na queda de parte de um passeio, arrastando um veículo ligeiro de passageiros (pertencente a um médico da USF) que se encontrava ali estacionado. As causas do aluimento de terras ainda não foram apuradas, contudo tudo aponta para erosão do terreno, acelerada pela grande pluviosidade que se tem registado e alguma dificuldade de drenagem da zona. “A chuva foi arrastando as terras e amolecendo a base de sustentação do muro de suporte da barreira”, descreve José António, presidente da Junta de Freguesia de Vialonga, acrescentando: “Da informação que tenho, a estrutura do edifício não está em risco e o estremecimento que se sentiu aquando da derrocada verificou-se porque o muro de sustentação das terras estava fixo ao edifício.”

Para já, espera-se que a barreira continue a ceder. “Terá de ser construído um novo paredão para conter as terras; enquanto isso não acontecer, o terreno irá continuar a ceder, podendo chegar mesmo até à estrada”, prevê José António. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira garante, por sua vez, que já foram tomadas medidas para prevenir a continuação do eventual deslizamento de terras. “Fizemos já alguns trabalhos de drenagem e cobrimos a zona para que a água da chuva não incida directamente no sítio onde ocorreu o deslizamento. É certo que esta é uma medida muito provisória, sendo que numa segunda fase terão de ser desenvolvidos trabalhos para conter o talude”, refere Alberto Mesquita, vice-presidente e responsável pelo departamento de planeamento, gestão e qualificação urbana.

Nesse sentido, a edilidade já contactou o proprietário dos terrenos com o fim de promover uma visita conjunta ao local para encontrar uma solução mais definitiva. “Trata-se de um lote de terreno para o qual está prevista construção, de acordo com o projecto de loteamento. Contudo, enquanto isso não acontecer, vamos procurar encontrar uma solução para conter as terras.”

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Cegada organiza 4.ª Amostra de Teatro

23/02/2010 1 comentário

SOCIEDADE. Em Março, 17 grupos dão vida a este evento bienal de Alverca onde, além do teatro, haverão debates, espectáculos de rua, noites de poesia e tertúlias temáticas.

Mário Caritas

De 1 a 31 de Março, sobe ao palco a 4.ª Amostra de Teatro de Alverca, organizada pelo Cegada Grupo de Teatro (CGT). Este evento bienal, que começou em 2004, reúne desta vez 17 grupos, oriundos do concelho de Vila Franca de Xira e de vários outros pontos do país, contribuindo desta forma para que a iniciativa mantenha o nível das edições anteriores.

A amostra acontece num mês em que o Cegada assinala 24 anos de vida (dia 9), facto que só por si constitui um marco de vitalidade e perseverança deste grupo amador. José Teles, ensaiador e responsável máximo pelo CGT, explicou, durante a conferência de imprensa de apresentação da amostra, que “temos sabido ultrapassar as dificuldades no que toca à questão da eterna falta de apoios, assumindo-nos como um importante veículo de intervenção social e cultural no concelho”.

Os espectáculos desta quarta amostra terão lugar sobretudo às sextas-feiras e sábados à noite, e ainda nas tardes de domingo para o público infanto-juvenil; no entanto, haverão actuações fora destes dias nomeadamente no que toca a assinalar datas consideradas especiais, com destaque para o já referido aniversário do Cegada. As entradas na maioria dos espectáculos são pagas (quatro euros para o público em geral), havendo descontos para idosos (idade igual ou superior a 65 anos), estudantes e crianças até aos 12 anos. A maioria dos espectáculos decorrem no Espaço Cegada (Praceta 25 de Abril), mas excepcionalmente será também utilizado o grande auditório da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense (SFRA). Os espectáculos de rua, os debates, as noites de poesia e as tertúlias temáticas são outros atractivos.

Categories: Alverca

Carnaval da CEBI recreou século XX português

LOCAL. Algumas das grandes figuras que marcaram o século XX em Portugal foram recreadas no Desfile de Carnaval da Fundação CEBI, no passado dia 12.

Mário Caritas

Com o mau tempo a atrapalhar o plano inicial de desfilar nalgumas ruas do centro de Alverca, como é tradição, o Desfile de Carnaval da Fundação CEBI acabou por se realizar dentro de portas, mas mantendo o brilho dos carnavais de anos anteriores. Mais de um milhar de figurantes, entre alunos e educadoras/funcionários, recrearam vários momentos e figuras que marcaram o século XX português, tendo como mote central a celebração dos 100 anos da implantação da República e queda da Monarquia (1910-2010) em Portugal.

E assim lá foram todos à descoberta, trajados inicialmente à aviador, tal como o fizeram Gago Coutinho e Sacadura Cabral na célebre Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul Portugal-Brasil (1922), ali recreada magistralmente. Algumas réplicas do hidroavião utilizado nessa altura cruzaram mesmo o céu da CEBI, num momento cénico bastante vistoso. “Está a ser muito giro, muito divertido. Estamos mascarados a tudo: primeiro somos aviadores, depois médicos, escritores e agora até vamos ser fadistas…!”, dizia-nos, entusiasmado, o pequeno Daniel Silva, de 10 anos.

De facto, mais do que recordar personagens ilustres, os alunos encarnaram a pele de algumas das grandes figuras que marcaram o século. “É um elogio aos portugueses”, dizia, por seu turno, a pequena Rita Antunes, 10 anos. “E uma homenagem aos momentos da história de Portugal”, acrescentava o colega, Manuel Costa.

Tudo culminou com a evocação da conquista da liberdade através do movimento dos capitães, em sinal da Liberdade alcançada com a Revolução do 25 de Abril de 1974. Antes disso homenageou-se o escritor e poeta Fernando Pessoa, o Prémio Nobel da Medicina Egas Moniz, o futebolista Eusébio e a fadista Amália Rodrigues, entre outros. E enquanto iam desfilando as personalidades – ligadas à Ciência, às Artes, à Literatura e ao Desporto –, ouvia-se como pano de fundo um cantor da Liberdade e dos ideais de Abril: Zeca Afonso.

Joana Fraga, Bruna Bicha e Inês Vicente, todas de 12 anos, vinham vestidas de vermelho, com um cravo da mesma cor na mão: “Nós representamos a liberdade, representamos a libertação das pessoas que estavam presas antes da Revolução dos Cravos que significa a conquista da liberdade de expressão.” Os colegas Paulo Ferreira e Gonçalo Costa, ambos vestidos como os soldados do MFA – Movimento das Forças Armadas, foram os seus libertadores: “Foi o fim da ditadura e o início da liberdade!”

Goreti David, responsável pela organização, explicou que o mote foi dado com a comemoração dos 100 anos da implantação da República e a viagem no tempo fez-se à boleia do célebre hidroavião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. “Foi como que uma incursão pelo século, realçando pessoas e momentos considerados por nós importantes. Este tema foi trabalhado em todas as salas de aula desde os dois anos, adequando os conteúdos às idades dos alunos – fizeram-se, por exemplo, jogos de palavras para trabalhar Fernando Pessoa, cantou-se com eles e ouviram-se fados da Amália, por isso ficaram tão empolgados.”

O corso de carnaval desta instituição movimenta sensivelmente um milhar de alunos e dezenas de funcionários, proporcionando sempre eventos de grande qualidade, integralmente gerados pela criatividade da “prata da casa” da Fundação.

Categories: Alverca

“Há trabalhadores que estão a ser discriminados”

18/02/2010 3 comentários

LOCAL. Mais de 30 trabalhadores (operários) da Junta de Alverca manifestaram-se, no passado dia 11, exigindo progressão na carreira e melhoria das condições físicas de trabalho.

Mário Caritas

Mais de três dezenas de trabalhadores da Junta de Freguesia de Alverca (JFA), a maioria pessoal operário, manifestaram-se na manhã do passado dia 11, em frente ao edifício da junta, reivindicando “o cumprimento da lei da opção gestionária e a melhoria das condições de trabalho, nomeadamente a realização das obras há muito prometidas no balneário masculino”.

Antes desse momento, os pontos foram debatidos em forma de plenário no refeitório da JFA. João Vieira, sindicalista do STAL – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, explicou que a autarquia não está a cumprir as regras da opção gestionária, ou seja, não está a reconhecer a progressão dos seus funcionários na carreira, tal como manda a lei.

“O que os trabalhadores pedem é que se faça cumprimento daquilo que é a lei sobre a opção gestionária, ou seja, que se reconheça a progressão dos trabalhadores na carreira, nomeadamente daqueles cujas últimas classificações de serviço foram «bom». No entanto, houve seis trabalhadores que progrediram na carreira, logo pensamos que está a haver discriminação entre os funcionários.”

Quanto à questão do balneário dos homens, reivindica-se o cumprimento de uma alegada promessa do actual presidente do executivo. “Os balneários estão muito degradados, têm muita humidade; o senhor presidente há mais de dois anos que diz que faz as obras, mas até hoje ainda não fez nada. Aquilo está uma lástima e põe inclusive em risco a saúde dos trabalhadores.”

Contactado pelo “NA”, o presidente da JFA, Afonso Costa, referiu que actualmente a junta não tem orçamento para reconhecer a progressão na carreira aos seus quase 100 trabalhadores. “Isso implicaria um orçamento de aproximadamente 32.000 euros, o que colocaria inclusivamente em causa o próprio funcionamento normal da junta.”

Actualmente os trabalhadores são avaliados pelos respectivos encarregados, cuja avaliação é depois validada ou não pelo executivo. Quanto àqueles que tiveram uma progressão na carreira, “é porque foram avaliados com a nota de «excelente» ou «muito bom»; aliás em 2009 progrediram seis trabalhadores na carreira e 10 em 2008, mas não temos verba para conseguir aplicar isso a todos”.

Em relação aos balneários masculinos, o eleito reconhece as actuais carências e refere que, no futuro, “serão remodelados e redimensionados.” Para já aguarda-se pelas obras de reabilitação dos antigos Lavadouros públicos para onde passará a sede do grupo etnográfico local e que servirão também para acolher o parque automóvel da junta. “Após isso, adaptaremos a actual sede do grupo etnográfico (situada na Quinta da Vala) para servir de apoio a quem trabalha da estrada nacional para sul, ao passo que os restantes trabalhadores continuarão a utilizar os actuais balneários (situados junto à sede da JFA) que serão alvo de uma intervenção de fundo que ainda não acontecerá este ano.”

Categories: Alverca

Viatura da PSP danificada na Malvarosa

LOCAL. Um indivíduo que havia sido autuado por mau estacionamento reagiu mal e retaliou no carro da Polícia.

Mário Caritas

No passado dia 9 de Fevereiro, foi danificada uma viatura da PSP no interior da urbanização Malvarosa. O incidente ocorreu por volta das 16h30, tendo sido partida uma escova do limpa pára-brisas do referido carro, no momento em que o polícia de serviço procedia à autuação de várias viaturas ali estacionadas que se encontravam em infracção ao Código da Estrada. O suspeito da prática destes danos, que se colocou de imediato em fuga para parte incerta, encontra-se devidamente identificado e, supostamente, terá reagido assim por não ter aceite a contra-ordenação que lhe havia sido passada momentos antes. Recordamos que os moradores desta urbanização têm solicitado, por diversas vezes, a intervenção policial devido ao alegado estacionamento irregular e abusivo que ali se pratica diariamente.

Categories: Alverca

Haiti: a missão de uma vida

ENTREVISTA. Hélder Ferreira, bombeiro voluntário em Alverca e bombeiro profissional na Autoridade Nacional de Protecção Civil, esteve em missão no Haiti, integrado numa missão da Força Especial de Bombeiros, para ajudar a construir um campo para os desalojados. Ao “NA” aceitou contar-nos “a experiência mais intensa” que já viveu como bombeiro, num país devastado por um violento sismo.

Ana Filipa de Sousa / Mário Caritas

“Notícias de Alverca”: Quando lhe perguntaram se queria ir para esta missão, aceitou logo?

Hélder Ferreira: Disse que sim! Foi instintivo, foi sem pensar, disse logo que sim.

“NA”: Como foi chegar ao Haiti?
HF: Cheguei à noite e, pelas luzes, consegui ver toda aquela panóplia de navios, porta-aviões, o navio-hospital, etc. A cidade de Port-au-Prince era uma autêntica base militar!

“NA”: Havia muita confusão no aeroporto?

HF: Não. Mas havia muito tráfego aéreo. Fomos levados até ao acampamento-base onde fomos recebidos pela nossa missão conjunta, nomeadamente pelo comandante da missão. Aquele primeiro impacto com os colegas que tínhamos visto partir dias antes…

“NA”: Como é que eles estavam?

HF: Estavam bem, o moral do português está sempre bem. Mas contaram-me experiências pelas quais passaram… Nós, portugueses, fizemos bem mais do que aquilo que nos foi pedido, intervimos por exemplo no Hospital da Universidade de Miami.

“NA”: O que é que viu nesse hospital-tenda?

HF: Vi fazerem-se autênticos milagres! Por exemplo: os doentes não podiam levar anestesia total porque não havia ventiladores, é tudo muito mais vivido, mais cru. As amputações eram feitas… como se faz um penso.

“NA”: Encontrou um povo devastado?

HF: Completamente. Encontrei um país devastado!

“NA”: É difícil não se emocionar? Alguma vez sentiu que não conseguiria controlar as emoções e desempenhar a sua missão?

HF: Nós nunca nos conseguimos distanciar na totalidade pois somos seres humanos. Claro que houve momentos que me tocaram mais – quando toca a crianças é mais emotivo, mais intenso, até porque eu também tenho um filho…

“NA”: Foi importante para si perceber que representava a esperança para todas aquelas pessoas?

HF: Foi importante conseguir fazer as crianças sorrir! Uma das tendas que montámos servia de orfanato, tinha cerca de 20 crianças, e foi importante ver aquelas crianças rirem. Quando íamos à tenda éramos completamente absorvidos… Talvez a maior recompensa daquela missão, além de saber que vai ajudar directamente 650 pessoas e indirectamente cerca de 1.000, foi fazer com que aquelas crianças pudessem sorrir.

“NA”: Foi a sua experiência mais marcante enquanto bombeiro?

HF: Sim, sem dúvida. Foi a minha experiência mais intensa até hoje.

Categories: Alverca

E se Alverca fosse atingida por um sismo?

09/02/2010 1 comentário

DESTAQUE. Imagine que a cidade de Alverca é atingida por um terramoto de grande dimensão. Estaria a sociedade civil preparada para fazer face à tragédia?

Mário Caritas

“Nenhum país, por mais desenvolvido que seja, está completamente apto a fazer face a um sismo como aquele que aconteceu no Haiti”, refere, peremptório, António Carvalho, comandante operacional dos Serviços Municipais de Protecção Civil de Vila Franca de Xira (SMPCVFX). O “NA” foi ao terreno tentar perceber de que forma é que as várias entidades competentes estão preparadas para agir face a um eventual terramoto de grande dimensão, cuja probabilidade de ocorrer nesta zona é “elevada” dada a proximidade com o concelho de Benavente onde existe uma falha geológica perfeitamente identificada. Aliás, ao nível da Área Metropolitana de Lisboa (AML), este é o segundo concelho com maior probabilidade de ocorrência de um sismo, logo a seguir a Lisboa.

Existe um Plano de Emergência Municipal (PEM), integrado num plano de emergência mais amplo elaborado para todo o distrito de Lisboa que foi recentemente testado em dois exercícios de grande escala – o PROCIV (2008) e o PT QUAKE (2009), para aprovar o chamado Plano de Risco Sísmico para a AML. No entanto, há muitas diferenças entre um exercício e a realidade. “Há toda a diferença! Quando estamos em exercício não temos questões complicadas para resolver, tais como infra-estruturas destruídas (estradas, pontes, etc.). No fundo, o que testamos é a coordenação entre as várias entidades, mas num sismo a sério o que reina nas primeiras horas é a anarquia; as primeiras 24/48 horas servirão praticamente apenas para fazer a avaliação dos danos, por isso nesse período as organizações locais praticamente não existem. Nós próprios, que devemos ser os primeiros a ir para o terreno, podemos morrer! Logo, nas primeiras horas, a resposta poderá não ser dada ao nível local mas a um nível externo.”

Ou seja, o PEM prevê que, em caso de ocorrência de um sismo de grande dimensão no concelho, a primeira ajuda chegue de fora. “Se internamente não tivermos condições de resposta, é o distrito de Leiria, mais concretamente os Bombeiros da Marinha Grande que virão tomar conta das ocorrências; ou seja, quem me virá substituir até eu aparecer é o meu colega da Marinha Grande que tem conhecimento do nosso plano de emergência. Assim que as condições locais estejam reunidas para podermos voltar a tomar conta das operações, então o comando é transferido para os SMPCVFX.”

Alberto Fernandes, comandante dos Bombeiros de Alverca, subscreve esta ideia. “Se falarmos num sismo de grande intensidade, por muito bem preparadas que estejam as instituições, nas primeiras 24 horas é muito difícil dar resposta. Penso que nessas primeiras horas cada um vai tentar socorrer-se por si e terão que ser os vizinhos a ajudar os vizinhos, os amigos a ajudar os amigos… Porque nas primeiras 24 horas será sempre muito complicado haver articulação entre as várias entidades e pôr tudo a funcionar.”

No fundo, o ideal é também que cada família tenha o seu próprio plano de emergência. Tem, por exemplo, em casa um rádio a pilhas para ouvir as notícias, já que numa situação de catástrofe tudo o resto falha e não há sequer internet, nem telemóveis? Tem água potável armazenada, assim como uma reserva de alimentos não perecíveis? “O factor principal de sucesso é que a população esteja informada e preparada para receber um sismo, e saiba como actuar nessa situação”, sustenta António Carvalho.

Categories: Alverca

Era carnaval, nada parecia mal!

 

REPORTAGEM. Os bailes de máscaras que actualmente se fazem pelo Carnaval contrastam com as brincadeiras de outros tempos, de uma época que fomos conhecer ouvindo quem a viveu de perto.

Mário Caritas

“Dia de S. Sebastião, corno na boca e laranja na mão.” Era com este antigo dizer popular que, no passado, se iniciavam “oficialmente” os festejos do Carnaval, “por volta do dia 20 ou 21 de Janeiro”, recorda, com saudade, Inocêncio Casquinha, artista popular local, natural e residente no lugar de Arcena, que, ainda miúdo, assistia e participava com agrado nas inúmeras brincadeiras carnavalescas que se desenrolavam no sítio onde morava. A partir de meados de Janeiro já se podia pois brincar ao Carnaval. “Eram semanas seguidas de brincadeira. E, na altura do Carnaval em si, desde o sábado magro até à quarta-feira de cinzas, era festa de arromba todos os dias.”

Em Arcena, o Carnaval era vivido de forma tão intensa que era mesmo considerado pela população a festa mais importante do ano, ainda mais importante que o Natal. Recuemos aos anos 50 do século XX… “O Carnaval tinha muita força, tinha inclusive mais peso que o Natal e que a festa anual local. As cegadas, por exemplo, eram preparadas com dois/três meses de antecedência e vinham a Arcena.” Tudo culminava com o enterro do chouriço, uma tradição que se perde na memória dos tempos e que ainda hoje se pratica naquele lugar de Alverca.

“O Carnaval era uma loucura. Havia bastante harmonia entre as pessoas das várias terras, éramos autênticas famílias. Fazíamos as cegadas, brincávamos, mascarávamo-nos, as mulheres escondiam a comida umas das outras… e tudo caía bem. As pessoas eram unidas e nada parecia mal… Também se deitavam as pulhas, lá nos altos, em que dizíamos coisas para as moças novas: «A fulana tal anda a namoriscar com o fulano tal…» Aquilo era engraçado porque depois alguém respondia à provocação, uns estavam num alto e outros noutro; os de Arcena deitavam as pulhas no alto do moinho velho, mandavam-se «bocas» em forma de verso, sempre à noite, acompanhadas de alguém que tocava um búzio ou um corno de boi.”

Mas não só em Arcena o Carnaval era vivido intensamente. “A cegada começava na Praça João Mantas e parava nos vários sítios; então diziam-se versos, muitas vezes a atacar a pessoa que ali morava”, recorda Vítor Joaquim, 63 anos, elemento do Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Alverca que, embora fosse miúdo, ainda se lembra bem do efeito daqueles espectáculos entre a população do centro de Alverca.

Logo após o 25 de Abril, Manuel Moisão, Luciano Ferreira e outros recuperaram algumas tradições do Carnaval. Manuel Moisão, 72 anos, antigo taxista, recorda: “Nessa altura juntávamo-nos sempre três pessoas: eu, o Luciano e o Moutinho, éramos os principais organizadores do Carnaval em Alverca.” No dia do enterro do Entrudo (4.ª Feira de Cinzas), ficava-se a velar o “morto” na praça de táxis durante todo o dia e à noite fazia-se o enterro. “O morto estava dentro de uma urna já muito velha e ficavam ali uns quantos sujeitos vestidos de preto, que gritavam como se fossem seus familiares… O trânsito parava para ver! (risos) E, de vez em quando, o morto – que era um vivo – levantava-se com um cacete nas mãos. Aquilo era só rir.”

Categories: Alverca
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