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Archive for Dezembro, 2009

Assembleia de freguesia quer revitalizar Museu do Ar

LOCAL. Na última Assembleia de Freguesia de Alverca, foi ainda aprovado o Plano de Investimentos e Orçamento para 2010.

Mário Caritas

Foram aprovadas por unanimidade, na última Assembleia de Freguesia de Alverca, as moções/propostas apresentadas pelas bancadas do PS, CDU e Coligação “Novo Rumo” (PSD/PP) acerca da transferência da sede do Museu do Ar desta cidade para Sintra. Nos três documentos evocava-se a preocupação dos eleitos pelo sucedido, dada “a importância deste legado histórico, a identificação da população com o mesmo e a sua profunda ligação identitária ao concelho de Vila Franca de Xira”.

Por isso, o futuro pólo de Alverca, designado Museu do Ar de Alverca do Ribatejo, deverá ser devidamente dinamizado, nomeadamente que “não seja esvaziado do espólio que foi reunindo ao longo dos anos e que mantenha as suas portas abertas de forma a poder continuar a ser visitado”. A CDU e o “Novo Rumo” vão ainda mais longe ao exigirem que a Força Aérea Portuguesa (FAP) repense esta decisão, “procurando garantir em Alverca as condições e os argumentos que façam a FAP alterar a sua decisão no futuro e trazer novamente a sede do museu para Alverca”.

No documento apresentado pela bancada comunista, pode ainda ler-se a proposta de criação de um “grupo de trabalho municipal” que terá os seguintes objectivos: “O levantamento de condições necessárias para o funcionamento do Museu do Ar em Alverca; o levantamento de parceiros elegíveis para o concretizar desses objectivos; o estabelecimento de parcerias com o Estado português, privados e entidades de ensino e formação para a criação de pressão institucional que legitime a permanência qualificada do museu em Alverca.”

O ponto mais importante da ordem de trabalhos tinha a ver com a aprovação do Plano Plurianual de Investimentos e Orçamento para 2010, tendo esses documentos sido aprovados por maioria com os votos favoráveis do PS e Coligação “Novo Rumo” e os votos contra da CDU e BE. Os eleitos do executivo voltaram a lamentar a falta de espaço de manobra numérica para se poder fazer mais investimentos em prol da cidade, inclusive em virtude de um corte orçamental em relação ao ano de 2009 na ordem dos 40.000 euros. E concretizaram: “Temos um orçamento de 1,705 milhões de euros, dos quais 1,476 milhões se destinam a despesas correntes, sendo a maioria desse valor (1,053 milhões) para despesas com o pessoal, ou seja, sobra-nos 400 mil euros para despesas de funcionamento.”

Categories: Alverca

USF do Forte deixa Alverca e Póvoa com menos médicos

LOCAL. A Unidade de Saúde Familiar do Forte da Casa começou a funcionar no dia 2, assegurando que mais 5146 utentes da freguesia passam a dispor de médico de família. O novo sistema veio, no entanto, desfalcar os centros de saúde de Alverca e da Póvoa, que ficaram com menos médicos

Jorge Talixa

A recente abertura da Unidade de Saúde Familiar (USF) do Forte da Casa está a gerar problemas nos centros de saúde de Alverca e da Póvoa de Santa Iria. As USF assentam num modelo de gestão próprio em que as equipas de médicos e enfermeiros têm mais responsabilidades de gestão, assumem mais compromissos de resposta às necessidades dos utentes e recebem compensações superiores. A criação da USF do Forte levou a que dois médicos de Alverca e um da Póvoa optassem por mudar para a unidade de saúde do Forte da Casa. Aqui, a abertura da USF fez com que mais alguns milhares de utentes passassem a ter médico de família. Em Alverca e na Póvoa sucedeu o contrário, aos cerca de 15 mil utentes que já não tinham médico de família juntaram-se mais alguns milhares.

Maria da Luz Rosinha, presidente da edilidade vila-franquense, disse, ao NA, que a câmara tem acompanhado a situação da falta de médicos no concelho e em particular este último episódio. “Penso que a questão da criação da USF vem dar uma resposta muito alargada à população. Agora cabe também resolver as outras questões. Esse esforço tem vindo a ser feito, inclusivamente em reuniões com a coordenadora dos centros de saúde de Vila Franca de Xira, que está muito consciente que a saída de dois médicos de Alverca e de um da Póvoa”, observou a autarca, frisando que a ministra Ana Jorge tomou, recentemente, novas medidas que abrem novas possibilidades de contratação de médicos para os centros de saúde, incluindo a hipótese de contratação de profissionais já aposentados interessados.

“Aqui há uma responsabilidade clara do Ministério da Saúde, que tem que a assumir. Abriu-se agora uma nova formação de médicos na Universidade de Aveiro. Entretanto há alguns recursos que é possível obter através de novas decisões”, prosseguiu Maria da Luz Rosinha, afirmando que acredita que estas situações se vão resolver.

Preocupado está também Nuno Libório, vereador da CDU, lembrando que nas freguesias do sul do concelho já havia cerca de 15 mil pessoas sem médico de família e que esse número vai aumentar. “Vemos a situação com bastante apreensão. Temos que a conhecer ainda um pouco melhor para percebermos melhor a verdadeira dimensão das suas consequências”, referiu, explicando que a CDU já pediu uma reunião à coordenadora dos centros de saúde do concelho.

O autarca comunista critica a visão cada vez mais economicista nas políticas de saúde seguidas pelos últimos governos e a forma como os centros de saúde têm ficado desfalcados de meios humanos. “Muitos destes utentes sem médico de família acabam por ter que recorrer às urgências do Hospital Reynaldo dos Santos e do Centro de Saúde de Alverca, quando um melhor funcionamento do Serviço Nacional de Saúde daria certamente outro tipo de respostas”, conclui.

Já Rui Rei, vereador da coligação Novo Rumo, vê a criação da USF do Forte da Casa de “uma forma muito positiva”, porque “dizem que a população do Forte da Casa vai ser melhor servida em termos de cuidados de saúde”. O eleito social-democrata reconhece, contudo, que continuam a existir problemas nos centros de saúde de Alverca e da Póvoa, agora “agravados”.

“O que vai acontecer é que o problema se vai agravar e quando alguns, estou a lembrar-me do Governo e do senhor primeiro-ministro, falam permanentemente da defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas o que estão a fazer é obrigar os que menos posses têm a ir para a iniciativa privada. Quando as pessoas não têm médico no SNS têm que ir ao médico privado e na medicina privada não faltam médicos. Isto não é sério, principalmente para aqueles que andam sempre com o SNS na boca e depois fazem isto”, critica.

Rui Rei defende que tudo isto tem que ser moralizado, que Portugal tem que formar mais médicos e que, enquanto isso não acontecer, deve recorrer a todas as possibilidades, incluindo a de os contratar em Espanha, no Brasil ou na restante América-Latina, referindo que não se podem aceitar algumas das reservas que a Ordem dos Médicos tem colocado, quer à abertura de cursos, quer à contratação de profissionais estrangeiros. “Com estes problemas, o que estamos a fazer é a prejudicar quem não tem meios. O grave é que não existam médicos para quem não tem meios. Temos que acabar com o lóbi que impede que haja médicos em quantidade suficiente”, sustenta.

Relativamente ao concelho de Vila Franca de Xira, Rui Rei acha que o município “tem que reclamar cada vez mais a presença de médicos e, se houver necessidade, encontrar soluções alternativas”.

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Credores viabilizam Cimianto

LOCAL. Único voto contra parte do representante das Finanças

Ana Filipa de Sousa

O Plano de Viabilização da Cimianto foi aprovado ontem. A decisão foi tomada em Assembleia de Credores e contou apenas com um único voto contra, do representante do Ministério Público em representação das Finanças.

Independentemente do voto desfavorável, a decisão que permite avançar com o plano de viabilização deixou os funcionários bastante satisfeitos que, como explica Luis Santos, representante dos trabalhadores na comissão de credores, encaram este desfecho como “uma prenda de Natal que deixa toda a gente mais animada e, pelo menos, nos próximos seis meses temos esperança de um futuro melhor”.

Apesar da luz verde dada ontem, ainda vai demorar algum tempo até que a normalidade regresse àquela empresa alhandrense. A produção só deverá ser retomada em Fevereiro, apenas com um turno em horário geral, data em que Luis Santos prevê que “esteja”ultrapassada toda a burocracia processual”.

A viabilização da Cimianto foi aprovada depois de três instituições bancárias, os principais credores, terem formado um sindicato bancário. Tal como previa o plano de viabilidade apresentado, dos actuais 79 funcionários, 20 (a maioria da área comercial e administrativa) terão de abandonar a Cimianto.

Fundada em Setembro de 1942, a Cimianto foi uma das primeiras empresas a dedicar-se ao fabrico e comercialização de materiais em fibrocimento em Portugal. Apesar de os trabalhadores nunca terem deixado de comparecer na empresa, a produção está parada desde Junho, altura em que a administração de então avançou com o pedido de insolvência junto do tribunal.

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FCA inaugura Sala de Convívio dos Sócios

DESPORTO. Num ano em que o clube completou 70 anos, a Direcção do Alverca ofereceu aos associados uma prenda há muito desejada: a Sala de Convívio dos Sócios.

Mário Caritas

O Futebol Clube de Alverca (FCA) inaugurou, no passado dia 13 de Dezembro, a nova Sala de Convívio dos Sócios, instalada no local onde até agora funcionou a secretaria do clube. Na ocasião foram também entregues os emblemas de prata e de ouro aos sócios que completaram 25 e 50 anos de filiação, respectivamente. Num ano em que os ribatejanos apagaram as 70 velas, nada melhor que oferecer aos associados uma prenda há tanto desejada.

“Sinto-me um bocadinho comovido. Há muito que esta sala fazia falta. É uma satisfação muito grande ver o sonho tornar-se realidade; é um passo em frente na vida do nosso clube”, dizia-nos, emocionado, José da Cunha, um dos associados mais carismáticos do FCA com 52 anos de filiação, acrescentando que o Alverca “está no bom caminho”.

Com metade da idade mas também deveras emocionado estava Sérgio Martins, 36 anos, que recebeu o emblema de prata das mãos do presidente da Direcção, Hélder Dias. No final da cerimónia, Sérgio disse à nossa reportagem que a sua juventude está intrinsecamente ligada ao FCA. “Pode-se dizer que cresci com o clube. Na altura de receber o emblema de prata pensei que ia começar a chorar e não era essa a ideia… Eu cresci a ver o Alverca pequenino, depois andou lá em cima, caiu, está a levantar-se de novo e esperemos que chegue a níveis que já teve no passado e que nos encheram de orgulho.”

Já Gervásio da Cruz Fernandes, um carismático alverquense de 79 anos, deslocou-se à cerimónia para receber o emblema de ouro. A sua ligação ao Alverca começou quando o convidaram para ser dirigente do clube. Entretanto foi sócio-fundador da APOGMA – Associação de Pessoal da OGMA, onde passa agora muito do seu tempo livre, mas a ligação ao FCA nunca a perdeu. “Filiei-me no Alverca na altura em que me convidaram para ser vice-presidente da Direcção, a partir daí nunca mais perdi a ligação ao clube!”

Jorge Barroso, presidente da assembleia-geral do FCA, era naquele dia um homem feliz. “Qualquer instituição que se preze tem, em primeiro lugar, que tratar bem os seus sócios, tratar bem a sua família. Penso que hoje se deu um passo em frente para que a família do Alverca esteja mais unida e se sinta mais feliz. Depois, o trabalho, a inspiração e a transpiração vão fazer o resto.”

Esta sala será gerida por um misto de sócios mais antigos e mais novos, sendo possível ocuparem ali os tempos livres com os chamados jogos de mesa, leitura de jornais e revistas, existindo também uma mesa de snooker e em breve um posto de informática com ligação à internet. Em anexo funciona uma sala destinada a actividades de formação, que neste momento já acolhe aulas de inglês a cargo da equipa de futebol americano do FCA. “A sala dos sócios estará aberta de forma permanente. Esta é uma sala provisória, pois a definitiva irá nascer quando o futuro centro de formação estiver pronto e será uma sala com outra dignidade e mais moderna”, afirma Jorge Barroso.

Categories: Alverca

Moto Clube espalhou o Natal em Alverca

15/12/2009 1 comentário

LOCAL. À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, os motards do Moto Clube de Alverca vestiram-se a rigor para distribuir presentes pelas instituições.

Mário Caritas

O Moto Clube de Alverca (MCA) realizou, no último sábado, o já tradicional desfile de pais Natal motards pelas ruas de Alverca e Vialonga onde, em conjunto com alguns empresários locais, distribuíram prendas por diversas instituições de solidariedade social, jardins de infância e lares de idosos. A iniciativa pôs na rua mais de três dezenas de motas, num total de quase 100 motards, que levaram o espírito natalício aos vários sítios onde eram esperados com ansiedade.

“Uma prenda nunca é demais. Acho esta ideia muito engraçada, é muito bonito, que tenham todos muita saúde, muita felicidade e que para o ano eu ainda esteja viva para voltar a receber um presente”, dizia-nos Benvinda que, aos 86 anos, se encontra instalada no lar da Casa S. Pedro de Alverca (CSPA) e que naquele momento acabara de desembrulhar o par de peúgas que lhe coubera em sorte. Também satisfeito com as suas novas peúgas estava o utente Orlando Lopes, 63 anos: “É bom para aquecer os pés no Inverno!”

Mais do que aquecer os pés, o desfile motard aqueceu a alma dos participantes e dos visitados. Todos saíram a ganhar. Adelino Esperança, presidente da Direcção da CSPA, refere que este é um momento muito especial. “Julgo que há mais de 10 anos que isto acontece. É sempre um momento de alegria e de convívio, penso que as pessoas já estão à espera. Hoje aproveitámos também para fazer uma sessão de ginástica rítmica com as ginastas da instituição e tivemos a actuação de um grupo da dança do ventre. Para os utentes, tudo isto é gratificante.”

Luís Sanches (MCA), um dos organizadores da iniciativa, refere que esta é uma forma de manter vivo o espírito da quadra. “Empenhamo-nos ao máximo para que o espírito do Natal não esmoreça e para que se mantenha viva a amizade entre as pessoas. Toda a gente adere muito bem e todas as lembranças que nós damos, embora sejam simbólicas, foram quotizadas entre nós e entre os nossos amigos. Portanto, é uma lembrança simbólica, só para dizer que estamos vivos e que estamos cá, e que para o ano podem voltar a contar connosco.”

Um dos apoios ao desfile dos motards partiu da Junta de Freguesia de Alverca que anualmente atribui um subsídio para ajudar na compra das lembranças. Afonso Costa, presidente do executivo, aplaude a ideia. “É um trabalho meritório que nós acompanhamos e que tem uma grande aceitação por parte das associações, não só devido à entrega das lembranças mas também pela presença dos motards que são sempre muito bem dispostos. Trazem um calor e uma amizade que é reconfortante, tanto aos lares de idosos como aos lares dos mais pequeninos que visitam neste dia.”

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Venha visitar a Casa do Pai Natal

LOCAL. Com o mote: “Venha tirar uma foto com o Pai Natal”, os mais pequenos (e não só) são convidados a passar pelo Largo de S. Pedro de Alverca.

Mário Caritas

O Portal Alverca convida a comunidade a visitar a Casa do Pai Natal, instalada no Largo de S. Pedro desta cidade. A iniciativa dirige-se sobretudo ao público infanto-juvenil e decorre de 4 a 23 de Dezembro, das 10h30 às 13h00 e das 15h00 às 17h30, de segunda-feira a sábado, com o mote: “Venha visitar o Pai Natal e tirar uma foto com ele.” Pela módica quantia de dois euros, a pequenada pode assim ficar com aquele momento registado para a posteridade, captado pela objectiva do fotógrafo Filipe Martins.

O principal patrocinador desta casa tão especial é a loja do AKI de Alverca, que fornece a casa feita em madeira. A Max Mat também apoia fornecendo a cerca e o relvado exterior. Outra das colaborações é a da junta de freguesia com lembranças para os mais pequenos. Entre os empresários locais também aderentes, conta-se Joaquim Raminhos (loja “Estores de Alverca”) que achou esta ideia apelativa: “Todas as iniciativas são bem-vindas e eu estou sempre na primeira linha para dar o meu apoio, dentro das minhas possibilidades.”

Neuza Dias, educadora  de infância responsável por um dos grupos de crianças que estiveram presentes aquando da inauguração do espaço, disse ao “NA” que esta é uma forma de manter vivo nas crianças o mito do Pai Natal. “Acho que é uma óptima iniciativa, penso que deviam fazer isto mais vezes. Os miúdos continuam a acreditar no mito do Pai Natal e nós continuamos a incentivá-los a acreditar, não faz mal nenhum, é óptimo ter o sonho do Pai Natal vivo.”

Pedro Malveira, responsável do AKI, afirma, por seu turno, que o apoio a este tipo de acções faz parte da política de responsabilidade social desta marca. “É uma forma de estarmos mais próximos da comunidade. Nós estamos envolvidos nalguns projectos, o que dá sempre alguma notoriedade à marca e também alguma responsabilidade. O AKI tem-se empenhado bastante no sentido de, a nível nacional, estar envolvido em projectos de solidariedade social; este é mais a nível local, mas é com muito orgulho que participamos.”

Hélder Lourenço, responsável do Portal Alverca, deixa um convite à população. “Por um preço muito abaixo do praticado nas grandes superfícies, as crianças podem vir tirar uma fotografia com o Pai Natal, inclusivamente podem-no fazê-lo em grupo.”

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Rectificação

Por lapso na entrevista feita a João de Carvalho, publicada na edição de Novembro do Notícias de Alverca, referimos que o novo vereador da cultura tinha conquistado “os melhores resultados de sempre do PSD em Vila Franca de Xira”, quando deveríamos ter feito referência à Coligação Novo Rumo, que reúne o PSD, CDS-PP, PPM e o MPT.

Aos visados e aos leitores deixamos aqui o nosso sincero pedido de desculpa pelo erro cometido.

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“Foi o horror que vi em Dhaka que me fez voltar”

ENTREVISTA. Maria do Céu da Conceição deixou de ser apenas mais uma assistente de bordo portuguesa emigrada no Dubai para passar a ser considerada a Mulher do Ano, pela Revista Emirates Woman. Natural de Vila Franca de Xira, Maria viveu em Alverca e Vialonga, mas foi do outro lado do mundo que encontrou a sua verdadeira motivação. Em 2005, uma escala em Dhaka levou-a a fundar um projecto que iria mudar para sempre a sua vida. Tirar as crianças da rua e quebrar o ciclo de pobreza nos subúrbios da capital do Bangladesh tornou-se assim, dia e noite, na sua missão. Quatro anos depois do início da aventura, o projecto que começou por apoiar 39 crianças tem actualmente sob sua protecção mais de 600 e já levou à criação de um outro, mais focado nos pais dos “seus” meninos e na inserção profissional dos adultos. Porque o sonho comanda a vida e a sua obstinação não a deixa parar, Maria já traçou a rota da próxima viagem. O voo que se segue parte dos bairros de lata do Bangladesh e aterra nas favelas do Brasil

Ana Filipa de Sousa


Noticias de Alverca – Foi eleita a Mulher do Ano pela revista “Emirates Woman”.

Estava à espera desta distinção?

Tinha a esperança de receber o prémio da Mulher Humanitária do Ano apenas. Para meu espanto e de todos, momentos mais tarde foi-me atribuído o prémio da Mulher do Ano da Emirates, o prémio global devido a votação de pessoas em todo o mundo. A atribuição do prémio foi resultado de votação feita através da Internet no sítio da Emirates Woman. Fiquei de tal modo atónita que nem sei como fui da cadeira até ao palco… senti-me a tremer e quase que destruí o prémio tal era a força com que o segurava!

Como é que surgiu a ideia de fundar o Projecto Dhaka?

Surgiu na minha mente durante uma escala de voo que fiz em Dhaka. Estávamos em 2005 e eu estava no hotel Dhaka Sheraton… Perguntei ao porteiro que lugares seriam bons para visitar e ele respondeu-me que em Dhaka apenas havia hospitais e orfanatos. Então decidi visitar um orfanato. Deparei-me com um cenário tão horrível lá, uma miúda com uns 16 anos com gémeos, doente num estado de abandono tal, que eu fiquei em estado de choque… Saí de lá e aquela imagem não me saía da cabeça, voltei ao Dubai tão triste, incapaz de me concentrar… Ao chegar a casa fui buscar um vídeo e tomei umas bebidas para ver se me conseguia ver livre da aflição que me perseguia, mas sem resultados. Só consegui ganhar paz de espírito quando decidi que tinha de fazer qualquer coisa para ajudar aquela gente.

O que é que a fez voltar?

Foi o horror que vi em Dhaka que me fez voltar. Reuni muitas das minhas economias, vendi a mobília, pedi donativos de artigos usados aos meus colegas da Emirates, aos meus amigos, a passageiros…

Num país tão diferente, quais foram as maiores dificuldades em arrancar e cimentar o seu projecto?

As suspeitas, a mentalidade, as pessoas não confiavam nas minhas intenções… Foi muito difícil tranquilizá-los e convencê-los que eu queria ajudá-los sem que estivesse à espera de algo em troca…

Dos primeiros passos dados em 2005 até hoje o Dhaka Project cresceu. Quais são as principais diferenças?

No princípio havia gente esfarrapada, miúdos praticamente nus, sem escola, a pedir pelas ruas, escanzelados. Hoje, felizmente, já temos miúdos a que providenciámos educação, alguns já são fluentes em Inglês. Temos uma escola com capacidade para cerca de 400 alunos. Temos uma creche, um centro de costura, um centro de primeiros socorros, um dentista, uma cantina e outras facilidades, que as crianças podem usar e que pode dar algum apoio aos seus pais.

Está também a dar os primeiros passos num outro projecto que pretende trabalhar com os pais dessas crianças. Qual é a ideia?

Com o Catalyst queremos ensinar inglês aos adultos, pais das nossas crianças, até atingirem um nível aceitável para conseguirem um trabalho que torne a sua vida sustentável. Depois de estarem aptos, tentaremos conseguir que arranjem trabalho no Dubai ou em Dhaka, o que é um pouco difícil no princípio, como acontece com todos os primeiros passos, mas que esperamos poder concretizar-se no futuro. Já houve quatro casos de homens a conseguir um trabalho no Dubai, vai haver mais um caso em Janeiro de 2010 e estamos em vias de conseguir um quinto.

Como é que consegue conciliar a sua vida profissional com esta actividade que, como se percebe, exige tanto de si?

Com muito sacrifício… muitas dificuldades, muitas despesas, e dedicação de quase todo o tempo disponível…Por vezes fico mais de 30 horas, ou mesmo mais de 40 horas sem dormir para, a seguir a um voo em serviço, poder entrar noutro avião para ir a Dhaka, levando sempre a carga máxima que me for concedida… numa das vezes tive de organizar quase 500 quilos de bagagem a seguir a um voo de dezasseis horas… foram quase 40 horas em pé.

Já tornou público que gostava de ajudar as crianças do Brasil. O que pretende fazer em concreto?

Sim. Pretendo fundar um orfanato para 20 a 25 crianças entre os 4 e os 5 anos. Já temos dois patrocinadores interessados em financiar parte deste projecto e estamos à procura de casa. É claro que iremos sempre precisar de muitos donativos para conseguir esse objectivo.

O que é que a move para que todos os dias trabalhe para esta causa tão exigente e onde as dificuldades são, como explica, sempre tantas?

Simplesmente… O sorriso das crianças. O incentivo que a confiança e a esperança que as crianças têm em mim é o suficiente para que eu consiga recarregar as baterias nas horas difíceis. É também compensadora a ajuda moral que tenho recebido dos voluntários portugueses, entre muitos de outros países que me têm impressionado.

Até quando pensa continuar com esta causa?

Até as minhas crianças chegarem ao fim da Universidade. Mas como elas vão sempre nascendo… Só que para que todo este trabalho possa ser realizado precisamos sempre de muitos donativos.

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